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Projeto de merenda orgânica tira 11 toneladas de gordura de escolas

07/06/2016

Mais de 30 mil crianças do Estado do Rio deixaram para trás, desde o início de 2015, alimentos como salsicha, batata frita e refrigerante e passaram a comer mais verduras, legumes e frutas. Pelo menos dentro da escola. A mudança é fruto do projeto Alimentação Escolar Saudável, implantado pela primeira vez no ano passado em 91 colégios públicos de cinco municípios: Três Rios, Paraíba do Sul, Itaperuna, Pinheiral e Trajano de Moraes. A iniciativa trouxe resultados expressivos: ao todo, houve redução de mais de 11 toneladas de alimentos processados e embutidos, ricos em gorduras, sal e açúcar, enquanto mais de 18 toneladas de produtos orgânicos passaram a fazer parte dos cardápios.
Para essa transformação de hábitos acontecer, as prefeituras dessas cidades se comprometeram a aumentar as compras de fornecedores locais, oriundos da agricultura familiar, e grande parte das escolas criou hortas cultivadas pelos próprios alunos e professores. Além disso, as cerca de 400 merendeiras dessas instituições receberam um curso sobre nutrição, certificado pelo Ministério da Educação. O curso foi patrocinado pelo Sistema Firjan, que, assim como o Planeta Orgânico e o Sebrae, apoia a iniciativa.
A causa é considerada urgente, já que 41 milhões de crianças no mundo estão com sobrepeso, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). E o projeto feito no estado será “coroado” hoje, durante a abertura do Green Rio, feira de negócios sustentáveis que ocorre até sábado na Marina da Glória. Três Rios e Paraíba do Sul, os dois municípios que empataram em primeiro lugar — em termos de quantidade de alimentos saudáveis oferecida aos estudantes —, receberão o Prêmio Alimentação Escolar Saudável. A ideia desse projeto foi lançada na última edição do Green Rio, que reúne anualmente representantes da economia verde e do setor orgânico.
Antes do projeto, 56,9% dos alimentos das escolas das cinco cidades participantes eram comprados de produtores locais. Hoje, essa fatia subiu para 76,8%, o que representa um investimento de R$ 1,1 milhão a mais em compras. Assim, a iniciativa tem colaborado para movimentar a economia local.
O impacto mais óbvio, porém, é mesmo sobre a saúde das crianças, que passaram a conhecer melhor o que comem e a escolher opções mais naturais.
— Criar hortas nas escolas foi uma parte muito importante desse projeto, porque levou às crianças a origem dos alimentos — destaca a secretária de educação de Três Rios, Carla Monnerat. — Apesar de não ser fácil mexer com o paladar e os hábitos das crianças, elas aceitaram muito bem a mudança dos cardápios. Demos especial atenção às creches, onde, por conta do horário integral, os alunos fazem cinco refeições por dia.

Saiba mais em O Globo

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