
09/06/2016
A Bacia do Rio São Francisco, onde vivem cerca de 14,3 milhões de pessoas, está agonizando. O alerta foi dado pelo pesquisador José Almir Cirilo, da Universidade Federal de Pernambuco, durante o I Simpósio da Bacia Hidrográfica do São Francisco, que acontece até quinta-feira em Juazeiro, na Bahia. A crescente demanda por água, somada à estiagem iniciada em 2012 — que já é considerada a pior da História — fazem com que o volume utilizado supere a vazão afluente na barragem de Sobradinho durante alguns meses do ano.
Segundo dados compilados pelo pesquisador, a demanda total de água da Bacia do São Francisco, em 2010, era de 309,4 metros cúbicos por segundo (m³/s), volume 87% maior que em 2000, quando a demanda era de 165,8 m³/s. Em outubro de 2014, a vazão afluente média mensal foi de apenas 272 m³/s em Sobradinho, a principal barragem da bacia.
— A conta não fecha — diz Cirilo. — Os números da bacia são deficitários, em algumas regiões o volume de água que chega é menor que o consumido. E a perspectiva de futuro é ainda mais crítica, pois a previsão é de aumento na demanda, o que colocará mais pressão sobre o sistema — alerta.
Para as próximas décadas, Cirilo traçou dois cenários possíveis. Caso a recessão se prolongue, a demanda por água da Bacia do São Francisco deve alcançar 458 m³/s em 2025 e 539 m³/s em 2035. Mas caso a economia se acelere e retome os níveis de crescimento da última década, a demanda pode chegar a 786 m³/s e 1.073 m³/s em 2025 e 2035, respectivamente.
O aumento na demanda acontece num momento de imprevisibilidade sobre o futuro do clima. A recente estiagem pode ter sido reforçada pelo fenômeno El Niño, mas existe a expectativa de que, com a La Niña, as chuvas voltem para a região da bacia. O problema, pontua Cirilo, é que os prognósticos para médio e longo prazo são de extremos climáticos cada vez mais frequentes.
Numa tentativa de balancear os níveis dos reservatórios com o fornecimento para a região do Baixo São Francisco, a Agência Nacional de Águas vem reduzindo a vazão liberada de Sobradinho desde 2013, de 1.300 m³/s para os atuais 800 m³/s. Mas como a vazão afluente é menor que a defluente, os níveis da represa chegaram a críticos 1% em novembro do ano passado. Caso a seca se prolongue, reduções ainda maiores não estão descartadas.
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