
05/07/2016
Mais de cem vencedores do Prêmio Nobel assinaram uma carta pedindo que o Greenpeace encerre sua campanha de oposição ao uso de organismos geneticamente modificados (OGM), mais conhecidos no Brasil como transgênicos, na produção agrícola. De acordo com os signatários do documento, a ONG tem “deturpado os riscos, benefícios e impactos” desse tipo de cultura, e apoiado “a destruição criminosa de campos de testes aprovados e projetos de pesquisas”, no que poderia ser considerado “crime contra a Humanidade”.
“Nós instamos que o Greenpeace e seus apoiadores reexaminem a experiência de fazendeiros e consumidores em todo o mundo com colheitas e alimentos melhorados pela biotecnologia, reconhecendo os resultados de corpos científicos reconhecidos e agências reguladoras, e abandonem sua campanha contra os OGMs em geral, em particular ao Arroz Dourado”, diz a carta.
A iniciativa foi organizada por Richard Roberts, diretor científico da New England Biolabs, e Phillip Sharp, vencedor do Nobel em fisiologia ou medicina em 1993, pela descoberta das sequências genéticas conhecidas como íntrons. Ao todo, 109 vencedores do Prêmio Nobel assinaram o documento, do total de 296 laureados vivos.
— Nós somos cientistas. Nós entendemos a lógica da ciência. É fácil perceber que o que o Greenpeace está fazendo é danoso e anticientífico — disse Roberts, em entrevista ao “Washington Post”. — O Greenpeace inicialmente, depois alguns de seus aliados, deliberadamente estão assustando as pessoas. É uma forma deles levantarem dinheiro para sua causa.
Segundo o documento, agências científicas e reguladoras de todo o mundo têm reconhecido repetidamente que os alimentos melhorados pela biotecnologia são tão seguros como os derivados de outros métodos produtivos, com nenhum caso confirmado de danos à saúde de humanos e animais. E os impactos ambientais vem se mostrando menos danosos que outras tecnologias.
Os signatários alertam que estimativas da Organização Mundial de Saúde apontam que 250 milhões de pessoas no mundo sofrem de deficiência de vitamina A, sendo 40% delas crianças vivendo em países pobres e em desenvolvimento, com aproximadamente dois milhões de mortes e 500 mil casos de cegueira irreversível por ano. E o Arroz Dourado pode ser uma solução para o problema, por ser fonte barata de vitamina A.
“Oposição baseada na emoção e em dogmas contrários aos dados devem ser barrados”, diz a carta. “Quantas pessoas pobres do mundo deverão morrer antes de considerarmos isso um crime contra a Humanidade?”.
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