
12/07/2016
Na Amazônia, a previsão de falta de chuvas e a consequente secura do solo nunca foram tão extremos, mostra novo estudo. A consequência dessa combinação pode ser a maior temporada de queimadas já registradas.
A pesquisa foi comandada por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Irvine (EUA) e os resultados se baseiam em um modelo matemático que leva em conta uma previsão meteorológica de médio prazo –de como será o tempo nos próximos meses.
Espera-se que os próximos três meses (julho, agosto e setembro) sejam particularmente secos na região. O culpado, aponta a Nasa, que disponibilizou dados para o estudo, pode ser o El Niño, fenômeno climático que bagunça também o clima amazônico.
As temperaturas anormais do oceano Pacífico entram na conta de um modelo matemático que fez disparar o alarme dos cientistas. A primeira grande estiagem desse tipo foi em 2005, e houve outra em 2010. A de 2016 promete ser a pior de todas.
Apesar da aparente periodicidade, ainda é cedo para dizer que a cada cinco ou seis anos haverá esse prognóstico de fogo na floresta.
"Por enquanto, é só um indício de que haverá um aumento da incidência de longos períodos secos", diz o físico Paulo Artaxo, professor da USP e membro do IPCC (Painel Internacional de Mudanças Climáticas).
"Mas ainda é muito cedo para atribuir esses fenômenos às mudanças climáticas. Com três eventos em cem anos é difícil fazer estatística. Temos de esperar mais para acumular dados o suficiente para ter confiabilidade nessa associação, se é que ela existe."
De qualquer maneira, para o professor também não é possível eliminar a possibilidade de que o aquecimento global esteja por trás da infeliz sucessão de eventos.
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