
11/08/2016
Todos os dias, Jocelino Porto, de 70 anos, segue a mesma rotina: acorda às 5h da manhã, toma um banho gelado e dedica-se a cuidar de centenas de mudas de plantas que, cultivadas em pequenos copos plásticos, se amontoam em sua casa na favela de Rocha Miranda, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Pouco depois, começa a receber seguidos telefonemas. São pessoas em busca de pés de graviola, pitanga e goiaba, entre os mais de 70 mil já produzidos por esse paraibano com sotaque carioca.
Há mais de três décadas, em um trabalho praticamente solitário, Porto dedica-se a reflorestar as favelas da capital fluminense. Tamanho empenho lhe valeu o apelido de ´homem das plantinhas´, como é conhecido aonde chega.
"Meu sonho é ver as favelas de novo cobertas pelo verde. Sempre gostei de mexer com plantas e espero poder conscientizar cada vez mais pessoas sobre a importância da preservação da natureza", diz ele.
Articulador social da ONG Viva Rio, onde trabalha desde 2010, Porto deu o seguinte depoimento à BBC Brasil:
"Nasci em Campina Grande, na Paraíba. Mas, quando tinha dois anos, meu pai decidiu se mudar com toda a família - eu, minha mãe e meus nove irmãos ─ para São Paulo, em busca de uma vida melhor. Pouco tempo depois, pegamos a estrada novamente, dessa vez rumo ao Rio de Janeiro, onde vivo até hoje.
Não tive uma infância feliz. Mas só me dei conta disso mais tarde, depois de velho. Trabalhei desde muito cedo. Éramos muito pobres e sempre moramos em favela. Um dia, quando tinha cerca de dez anos, meu pai me chamou para uma conversa e me disse desesperado que não aguentava mais. Tive de parar de estudar para ajudá-lo a pagar as contas. Era isso ou passaríamos fome.
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