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Biólogo especialista em classificar espécies está ameaçado de extinção

27/09/2016

Se esse animal for extinto, promete levar cerca de outros oito milhões de seres vivos com ele. O taxonomista, biólogo especialista em identificar e classificar a vida no planeta, está ameaçado.
Uma nova espécie de peixe –coletada na bacia do Rio Madeira, no Estado do Amazonas– descoberta agora por cientistas, pode ser a exceção desse trabalho. De acordo com o pesquisador Murilo Pastana, faltam especialistas para examinar outros espécimes coletados e avaliar a riqueza do local.
Os bichos à espera de nome vão integrar os cerca de oito milhões de seres vivos, segundo estimativas conservadoras, sobre os quais nada se sabe –sendo que há quase 2 milhões de espécies registradas, ou só um quinto do total.
"Ao não conhecer a biodiversidade, abrimos um flanco para que as espécies ameaçadas de extinção, ainda sem nome, não sejam protegidas", afirma o professor da Unesp Célio Haddad, especialista em anfíbios. Ele cita outra perda importante: sem conhecer novas espécies, perde-se um mundo em potencial de princípios bioativos para desenvolver medicamentos. "Somos diretamente afetados."
Uma das causas é que essa não é uma ciência tão "sexy" quanto a bioquímica ou a genética, diz ele, e não atrai tantos alunos. Outra é a falta de estímulo à pesquisa.
O investimento em um dos principais projetos de incentivo da área, o Protax (Programa de capacitação em taxonomia), do CNPq e da Capes (agências federais de fomento à pesquisa), sofreu cortes. Em 2010, o investimento foi de R$ 19 milhões. Em 2015, R$ 12 milhões. Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, o valor ainda pode crescer com a adesão de outras fundações –já houve aporte adicional de R$ 1,5 milhões.
A pasta informa que o investimento anual do governo na área da taxonomia gira em torno de R$ 1 milhão anual. O número representa 0,02% do orçamento para ciência, tecnologia e inovações neste ano, de R$ 4,1 bilhões, valor que também sofreu cortes: em 2015, o orçamento para a área foi de R$ 7,37 bilhões.

A matéria pode ser lida na Folha de S. Paulo

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