
29/09/2016
Não foi uma ou duas vezes que Mestre Tuti ouviu: “Isso aí que você faz é coisa de maluco”. Com 68 anos, o cearense aposentado que vive à beira do Rio São João, em Casimiro de Abreu, deixou um barquinho ancorado em um ponto do curso d’água, com uma sinalização ativada por energia solar, e que funciona como uma lixeira para os navegantes. Dali, segundo ele, saem mensalmente 1.400 quilos de lixo, entre plástico, madeira, e outros materiais. Até mesmo um fogão e uma geladeira foram deixados no local. Tuti também passeia diariamente pelo rio recolhendo o que vê pela frente. Começou há cerca de dez anos, numa época em que a ecologia era pouco debatida por ali.
— Quando comecei a limpar o rio, ninguém me enxergava. Me chamavam de maluco. Eu respondia: uma andorinha só não faz verão, mas faz a diferença — conta o mestre, que dá palestras em escolas e empresas sobre a importância da preservação do meio ambiente.
Com o lixo encontrado, ele faz arte. Cria vasos de plantas, bancos e objetos de decoração. Construiu também um santuário para Nossa Senhora Aparecida às margens do São João. Como se já não bastasse, ele plantou mais de 300 mudas para recuperar o mangue.
— O rio não é meu nem seu, é de todos. O seu futuro depende de nós — afirma.
A preocupação com as áreas verdes também é a inspiração para duas iniciativas de preservação em Búzios. Uma delas veio do professor de educação física Wanderson Vieira, que vive em Búzios.
A matéria na íntegra pode ser lida em O Globo
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