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Emissões brasileiras de gases-estufa crescem 3,5% em 2015

27/10/2016

Um relatório divulgado às vésperas de o Acordo de Paris entrar em vigor mostra que o Brasil não está fazendo o dever de casa para reduzir o lançamento de gases nocivos na atmosfera e frear as mudanças climáticas. De acordo com dados do Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima, as emissões nacionais no meio ambiente em 2015 subiram 3,5% na comparação com 2014.
Segundo a pesquisa, publicada nesta quarta-feira, o Brasil emitiu no ano passado 1,928 bilhão de toneladas brutas de CO2 equivalente (a soma de todos os gases de efeito estufa convertidos em dióxido de carbono), contra 1,862 bilhão de toneladas em 2014. O principal motivo para esse aumento foi o avanço do desmatamento, que, no jargão das análises climáticas, é chamado de mudança do uso da terra. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam que, somente na Amazônia, o deflorestamento cresceu 25% em 2015. De acordo com o relatório do SEEG, as emissões causadas pelo deflorestamento, considerando todos os biomas brasileiros, cresceram 12%.
A devastação florestal avançou tanto que impediu uma queda nas emissões, que poderia ser esperada após um ano de crise em que o Produto Interno Bruto (PIB) encolheu 3,8%. Graças à retração, o setor de geração de energia — segunda maior fonte de emissões da economia brasileira — registrou queda de 5,3% nas emissões em relação a 2014. Foi a primeira vez desde 2009 que as emissões do setor de energia caíram, mas em ritmo insuficiente para compensar o aumento provocado pelo desmatamento.
O quadro acende um alerta para o Brasil, que, no Acordo de Paris, acertado em dezembro de 2015, assumiu o compromisso de reduzir suas emissões em 37% até 2025 e em 43% até 2030, sempre usando como referência os níveis de lançamentos de 2005. O acordo, que tem metas de redução de emissões de países em todo o mundo, entra em vigor no dia 4 de novembro.
- O Brasil ainda destrói mais florestas do que qualquer outro país do mundo. A taxa de aumento de 25% de desmatamento preocupa, pois há indícios de que voltará a subir em 2016, o que poderia significar uma reversão da tendência de queda no desmatamento - disse o ambientalista Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima. - O acordo do clima entra em vigor daqui a 11 dias. Tirá-lo do papel exige mudar drasticamente o rumo do nosso desenvolvimento, mas não é o que estamos vendo. As emissões de energia caíram, mas o risco de voltarem a subir rapidamente quando o país sair da recessão é enorme, dada a aposta nos combustíveis fósseis, que dominam os investimentos no setor.

A matéria pode ser lida em O Globo

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