
01/11/2016
Depois de anos de tentativas, finalmente o Mar de Ross foi oficializado como uma reserva marítima, a maior do mundo. A área, agora protegida, possui 1,55 milhão de km². Destes, 1,22 milhão são zonas de exclusão de pesca, onde a atividade não pode ser desenvolvida. A área total equivale a aproximadamente os territórios de Reino Unido, França e Alemanha.
O Mar de Ross, localizado na Antártida, em uma baía no Oceano Pacífico, tem uma significativa importância. É tido como o "último oceano", por ser considerado o último ecossistema marinho intacto no planeta, sem contaminação, pesca em excesso ou espécies invasoras.
O acordo foi firmado nesta sexta (28) pela CCRVMA (Comissão para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos). O consenso unânime é necessário para qualquer decisão na comissão, composta por 25 países.
A tentativa de criação da reserva começou em 2012, por iniciativa dos EUA e da Nova Zelândia. Cinco tentativas foram necessárias até o sucesso. Somente a Rússia permanecia em desacordo quanto à área protegida, por preocupação quanto aos direitos de pesca. A China só passou a apoiar o santuário em 2015.
"Pela primeira vez, os países superaram suas divergências para proteger uma grande área do oceano austral e águas internacionais", comemorou Mike Walker, diretor da organização Antarctic Ocean Alliance.
Pequenas quantidades de pesca para fins científicos serão permitidas na áreas protegidas. No oceano antártico, que representa 15% da superfície dos oceanos, há ecossistemas excepcionais, que contêm mais de 10 mil espécies únicas, muitas delas preservadas das atividades humanas, mas ameaçadas pelo desenvolvimento da pesca e da navegação.
Andrea Kavanagh, diretora para a Antártida da organização The Pew Charitable Trusts, espera que esse seja o primeiro passo para a criação de uma rede de reservas marinhas no mundo.
As nações já começaram a considerar propostas para transformar o Mar de Weddell e o leste da Antártida em áreas protegidas.
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