
03/11/2016
As emissões nacionais de gases do efeito estufa aumentaram 3,5% em 2015, em comparação com o ano anterior, na contramão da evolução do PIB, que encolheu 3,8%. O desmatamento foi o maior responsável pelo retrocesso, que afasta o Brasil da rota prevista no Acordo de Paris.
Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (26) pelo Sistema de Estimativa de Emissão de Gases do Efeito Estufa, da rede de ONGs Observatório do Clima.
A perda de floresta amazônica no ano passado aumentou 25%, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Incluindo na conta todos os outros biomas brasileiros (caatinga, cerrado, mata atlântica, Pantanal e pampas), o crescimento de emissões por desmatamento foi de 12%.
A chamada mudança do uso da terra, no jargão da mudança climática, é a principal fonte de gases do efeito estufa, como o CO2 (dióxido de carbono), que aprisionam radiação solar na atmosfera e, com isso, a aquecem.
"O acordo do clima entra em vigor daqui a 11 dias. Tirá-lo do papel exige mudar drasticamente o rumo do nosso desenvolvimento, mas não é o que estamos vendo acontecer", afirma Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima.
A poluição gerada pelo segundo maior setor gerador de emissões, energia, por outro lado, decresceu 5,3%, mais portanto que o encolhimento do PIB. Foi a primeira vez desde 2009 que as emissões de energia caíram.
Isso ocorreu porque a demanda por eletricidade e combustíveis se desacelerou com a crise econômica, em especial na indústria, e também porque aumentou a participação de fontes renováveis na matriz energética (eletricidade de fonte eólica e etanol no setor de transportes).
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