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Plantas produzem substância que aumenta o tempo de vida do Aedes aegypti

22/11/2016

Pesquisa desenvolvida no Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IBqM/UFRJ) revela que uma substância presente no néctar e na seiva das plantas aumenta em 50% o tempo de vida do Aedes aegypti. É o chamado polifenol, responsável pela adaptação das plantas ao calor extremo. Conduzida pelo pesquisador Mário Alberto Cardoso da Silva Neto, com apoio da FAPERJ, o estudo busca desenvolver uma estratégia de controle da transmissão da dengue, zika e chickungunya por meio da modificação genética de plantas e do mosquito. "Com a modificação genética das plantas, seria possível introduzir um bloqueador de genes no inseto que delas se alimentasse. Seriam genes e proteínas que desligariam o processo de autofagia no intestino do mosquito, evitando que ele se torne mais resistente e viva mais”, diz Silva Neto. A pesquisa ainda investiga o papel do aquecimento global no crescimento mundial dos casos de arboviroses, ou seja, das moléstias causadas por insetos.
Os pesquisadores observaram que, ao passar da vida aquática para a fase adulta, quando o mosquito ainda não aprendeu a chupar sangue, a ingestão de polifenóis é determinante para a manutenção e prolongamento do ciclo de vida do inseto. Depois de passar pela fase de larva e de pupa, o Aedes chega à vida adulta faminto, à procura de substâncias açucaradas. Por dois ou três dias, ele se nutre da seiva e do néctar das plantas e, somente após esse período, as fêmeas passam a procurar sangue. A pesquisa destaca que, junto ao néctar e à seiva, o mosquito ingere o polifenol, molécula produzida pelos vegetais para sobreviverem ao calor intenso e, portanto, associada a processos de desertificação e outras situações ambientais severas. A substância produz efeitos benéficos ao mosquito, prolongando seu tempo de vida de 15 para até 30 dias.
Isso acontece porque a ingestão do polifenol gera uma redução na quantidade de bactérias no intestino do inseto, tornando-o mais resistente a choques sépticos, como infecções que poderiam levá-lo à morte. De acordo com Silva Neto, a substância ativa o processo de autofagia no intestino do inseto. Do grego autos, próprio, e phagein, comer, a autofagia é um processo de limpeza e reciclagem das células que impede a acumulação de resíduos no organismo, reduzindo o risco de doenças infecciosas, entre outras moléstias graves. “Depois de ingerir polifenol, o mosquito vai ficando cada vez mais limpo, com menos bactérias, o que parece permitir que ele viva mais”, explicou o pesquisador.

A matéria pode ser lida no site da Faperj

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