
24/11/2016
A possibilidade de o Brasil fornecer R$ 5 bilhões em incentivos ao carvão, caso o presidente Michel Temer não vete a Medida Provisória 735 (MP 735), está causando reações entre os participantes da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a COP22.
O subsídio foi embutido no artigo 20 da MP 735, que trata amplamente de privatizações no setor elétrico. Nessa terça-feira, o boletim que circula pelas negociações em Marrakech e é endossado por mais de mil organizações da rede Climate Action Network traz um artigo crítico ao Brasil.
Intitulado "Primeira regra quando você está em um buraco: pare de cavar", o texto diz que neste momento "o mundo está assistindo ao que acontece no Brasil e esperando coerência de um país que tem todo o potencial para ser um dos primeiros a alcançar 100% de energias renováveis".
A Folha apurou que o barulho internacional fez com que o Itamaraty recomendasse ao governo o veto ao artigo ainda durante a COP, que foi até o dia 18 deste mês.
Embora a inclusão do artigo na MP 735 não tenha autoria clara no Congresso, observadores brasileiros apontam que a indústria carvoeira teria tido apoio do Ministério da Casa Civil para o feito.
A pasta está sob o comando do gaúcho Eliseu Padilha. No último dia 3/11, o governador do Rio Grande Sul, polo carvoeiro no Brasil, se reuniu com empresários japoneses dos grupos Tepco, PwC Japan e IHI, junto também à Copelmi, empresa gaúcha de mineração, para discutir um investimento de até US$ 2 bilhões em uma usina termelétrica de alta eficiência movida a carvão mineral.
A matéria pode ser lida na Folha de S. Paulo
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