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Clima reduzirá pela metade a área de produção do grão de café

01/12/2016

O cafezinho do dia a dia está seriamente ameaçado pelas mudanças climáticas, aponta relatório divulgado recentemente pelo Climate Institute, baseado na Austrália. Por causa do aumento das temperaturas e dos eventos climáticos extremos, a área adequada para a produção do apreciado grão deve ser reduzida em 50% até 2050 nos cerca de 70 países produtores, incluindo o Brasil, provocando a queda na qualidade e disparada nos preços. Até 2080, a previsão é que o café selvagem, importante fonte genética para os produtores, esteja extinto.
— Mais de 2,25 bilhões de copos de café são consumidos diariamente ao redor do mundo — diz John Connor, diretor executivo do Climate Institute.
De acordo com o relatório, existem evidências de que as mudanças climáticas, com temperaturas mais altas e alterações nos padrões de chuva, já estão afetando a qualidade, as pragas, as doenças e o rendimento dos campos produtores, o que coloca em risco o modo de vida de 125 milhões de pessoas que dependem diretamente do plantio do café.
O café do tipo arábica domina a produção global, respondendo por cerca de 70% do total. O problema é que a espécie é bastante sensível às mudanças de temperatura. A melhor performance acontece entre 18 e 21 graus Celsius. Acima de 23 graus Celsius, a planta cresce de forma acelerada e frutifica antes do esperado, o que danifica a qualidade do grão. E uma das características das mudanças climáticas que afetam o planeta é justamente o aumento médio das temperaturas. No México, na Guatemala e em Honduras, por exemplo, as temperaturas médias já aumentaram em um grau Celsius desde os anos 1960, e o volume médio de chuvas caiu 15%. Na Etiópia, onde as exportações do grão respondem por 33% do total do país, a temperatura média anual aumentou 1,3 grau Celsius entre 1960 e 2006.
No Brasil, aponta o relatório, “nas regiões de plantações em Minas Gerais, o número e a intensidade das ondas de calor aumentaram de forma significativa, enquanto frios extremos diminuíram”. Em 2014, uma seca atípica assolou o país, provocando forte impacto na produção.

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