
16/08/2018
O vírus da zika, que levou a um dramático aumento no número de nascimentos de bebês com microcefalia no Brasil em 2015, provavelmente chegou ao país vindo do Haiti no final de 2013, revela um estudo desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
"Imigrantes ilegais do Haiti e militares brasileiros em uma missão de paz naquele país podem ter trazido o vírus para o Brasil", afirma a pesquisa.
Até agora, acreditava-se que o vírus poderia ter entrado no país durante a Copa do Mundo de 2014 por meio de turistas africanos. Ou então durante o campeonato mundial de canoagem no Rio de Janeiro, em agosto do mesmo ano, do qual participaram atletas de países do Pacífico afetados pelo vírus.
Mas o relatório conclui que o vírus não veio diretamente de Polinésia Francesa, onde foram registrados surtos há uma década surtos, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). O que aconteceu, segundo a Fiocruz, foi que o vírus migrou para a Oceania, seguindo para a chilena Ilha e da Páscoa e para a América Central e o Caribe, chegando ao Brasil no final de 2013.
— Isso coincide com o caminho percorrido pelos vírus da dengue e da chicungunha — explica Lindomar Pena, um dos pesquisadores envolvidos no estudo, citado pela agência de notícias da Fiocruz. — Em todos os casos brasileiros estudados, o ancestral comum do vírus é uma cepa do Haiti, que, como se sabe, tem sido afectado pela epidemia tripla de zika, dengue e chicungunha.
O vírus é transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti. E já está estabelecido que, em gestantes, ele pode causar problemas congênitos no feto, como a microcefalia — diminuição no tamanho da cabeça do bebê, o que gera um impacto neurológico expressivo.
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