
21/08/2018
O terreno de uma antiga fábrica de baterias automotivas em Sorocaba (SP) se tornou um garimpo de chumbo a céu aberto. Em busca de dinheiro "fácil", moradores da região se arriscam e cavam na terra contaminada por produtos químicos para vender os metais para ferros-velhos da cidade.
A situação, investigada pelas equipes de reportagem do G1 e da TV TEM, foi denunciada pelo Fantástico na noite do último domingo, dia 19.
A área onde estão os restos de baterias e lixo tóxico fica no bairro Iporanga, escondida por um matagal, e tem livre acesso. Há alguns meses moradores descobriram que as placas de chumbo enterradas no terreno poderiam ser vendidas.
Com câmeras escondidas, os produtores flagraram dezenas de pessoas escavando o terreno. Do alto é possível ter uma ideia do tamanho da área que já foi revirada por pás, enxadas e até máquinas.
Sem saber que estava sendo filmado, um homem, que teve a identidade preservada, explicou como funciona o esquema de extração no terreno.
A reportagem recolheu algumas pedras que foram submetidas a análise laboratorial. Segundo o toxicologista da Universidade de São Paulo (USP) Fernando Barbosa Júnior, cinco tipos de metais prejudiciais à saúde foram identificados.
“As amostras apresentaram valores extremamente elevados de chumbo. Um milhão de vezes superiores àquelas que nós esperaríamos. Além do chumbo, foram encontrados alumínio, cádmio, cromo e arsênio."
O especialista explica que esses metais pesados entram no organismo pelo nariz e pela boca na poeira levantada no garimpo. Com o tempo, podem surgir doenças cardiovasculares, hepáticas e do sistema nervoso.
O cromo, o arsênio e o cádmio se acumulam nos rins e em doses altas podem levar à falência desses órgãos. O cromo e o arsênio também podem causar câncer.E a contaminação por alumínio faz tão mal para o cérebro que cientistas estudam hoje se ele pode estar ligado ao alzheimer.
A matéria completa pode ser lida no G1
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