
06/09/2018
A fertilidade do solo é uma questão fundamental para os agricultores: eles precisam repor os nutrientes, retirados da terra com as plantações.
As substâncias que compõem os fertilizantes podem ser encontradas na natureza, mas grandes plantações da agroindústria usam fertilizantes industriais, de fonte mineral. Lançado nesta terça-feira, o Atlas do Agronegócio, uma iniciativa das fundações alemãs Heinrich Boll e Rosa Luxemburgo, aponta as dez maiores empresas produtoras do produto no mundo. Menos debatidos que os agrotóxicos, fertilizantes também têm potencial cancerígeno. Análises de mercado indicam que, em 2025, fertilizantes movimentarão US$ 78 bilhões na economia global.
Com dados referentes ao faturamento, o ranking apontou as dez companhias que controlam o mercado de fertilizantes. As quatro maiores estão na América do Norte: Agrium, Yara, Mosaic e Potash. Como os dados do Atlas são referentes a 2015, Agrium e Potash são apontadas separadamente. No início deste ano, as duas se uniram sob o nome de Nutrien. A empresa planeja investir no Brasil em uma tentativa de abocanhar até 30% das vendas de suprimentos agrícolas no país.
Para o período 2015-2020, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) estima que o mercado de fertilizantes artificiais passe de 246 toneladas por ano para 273 milhões de toneladas por ano. Desde 1961, o consumo de fertilizantes artificiais aumentou seis vezes, e em 2013 as vendas mundiais totalizaram US$ 175 bilhões.
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), verduras e legumes comuns - que não recebem o selo de produto orgânico - recebem doses altas de fertilizantes nitrogenados e, portanto, apresentam teores elevados de nitrato. Durante a digestão, dentro do corpo humano, o componente reage, produzindo um “poderoso agente carcinogênico”, segundo documento publicado pelo Inca.
O Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de São Paulo também tem um relatório sobre o “Nitrato e os efeitos na saúde humana”. O documento explica que fertilizantes podem contaminar concentrações subterrâneas de água e rios próximos a lavouras. O consumo dessas águas pode ser nocivo à saúde, de acordo com a secretaria. “Em especial para crianças e mulheres grávidas, podendo causar intoxicações agudas e muitas vezes fatais.”
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