
11/09/2018
Uma revisão dos dados sobre as espécies de pássaros mais ameaçadas do planeta recomenda que a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) reclassifique sete delas de “criticamente em perigo” para “extintas” ou “possivelmente extintas”. Entre elas estão quatro aves nativas do Brasil: o gritador-do-nordeste (Cichlocolaptes mazarbarnetti), o limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi), o caburé-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum) e a arara-azul-pequena (Anodorhynchus glaucus), além da ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), famosa pelo filme “Rio”, que foi reclassificada para “extinta na natureza”.
A nova avaliação levou oito anos para ser concluída e foi realizada por pesquisadores da BirdLife International, responsável pela classificação de aves na Lista Vermelha da IUCN, com 61 espécies que eram listadas como “criticamente em perigo”. Além dos pássaros brasileiros, foram reclassificados o Poo-uli (Melamprosops Phaeosoma, agora considerado “extinto”), nativo do Havaí; o javan lapwing (Vanellus macropterus, “possivelmente extinto”), natural dos rios de Java em Sumatra e no Timor; e o New Caledonian lorikeet (Charmosyna diadema, “possivelmente extinto”), endêmico da Nova Caledônia.
Estas são as primeiras extinções de pássaros do século, que elevam para 187 o número conhecido de aves extintas ou possivelmente extintas desde 1.500. A reavaliação foi a primeira a quantificar três fatores reunidos: a intensidade de ameaças à espécie, o tempo e a confiabilidade dos registros e o tempo e a confiabilidade dos esforços de busca. As recomendações serão debatidas por especialistas no Fórum de Espécies Globalmente Ameaçadas da BirdLife e encaminhadas para a IUCN, que atualizará o status das espécies na Lista Vermelha em 2019.
Pedro Develey, diretor executivo da ONG Save Brasil, braço da BirdLife International, explica que as cinco espécies reclassificadas pela BirdLife International já eram consideradas extintas pelo governo brasileiro. Para a ararinha-azul ainda existe esperança, pois existem cerca de 170 indivíduos em criadouros espalhados pelo mundo. Em junho, o governo federal anunciou a criação da Área de Proteção Ambiental da Ararinha Azul e o Refúgio de Vida Silvestre da Ararinha Azul, ambos na Bahia, para um projeto de reintrodução da espécie.
— O Ministério do Meio Ambiente declarou essas espécies extintas em 2014. Na época, muita gente considerou a ação precipitada, mas nesses quatro anos muita gente foi ao campo procurar essas aves e ninguém encontrou. A BirdLife foi mais comedida, porque a decretação da extinção significa o fim dos esforços de conservação — explicou Develey. — A ararinha-azul ainda podemos salvar, mas as outras nem em cativeiro existem mais. A extinção é para sempre.
A perda dessas espécies deve servir de alerta, afirma Develey, que aponta outras duas aves brasileiras em situação crítica. A choquinha-de-Alagoas (Myrmotherula snowi) tem menos de 30 indivíduos, a maior parte na Estação Ecológica de Murici. Situação ainda mais crítica enfrenta a rolinha-do-planalto (Columbina cyanopis), que tem entre 16 e 20 indivíduos concentrados numa reserva da Save Brasil na Serra do Espinhaço, em Minas Gerais.
— O básico nós já estamos fazendo, que é a proteção do habitat. Agora, estamos pensando em técnicas de manejo direto, como o plantio de árvores que eles mais gostam, a colocação de caixinhas para ninhos e até mesmo a reprodução em cativeiro — contou Develey. — Ainda há esperança. Nós perdemos cinco espécies, mas ainda existem 1.919 espécies conhecidas no país, com tempo, vontade e conhecimento para a conservação.
A matéria pode ser lida em O Globo
Rio Ocean Week debate fontes e soluções para poluição marinha
15/09/2026
Plante Rio 10 anos terá mutirões, oficinas e programação cultural na Lapa
15/09/2026
Terras raras: por que o Brasil está no centro da disputa global por minerais críticos
15/09/2026
Desmatamento cai 19% no cerrado e sobe 12% na amazônia em agosto
15/09/2026
Amazônia abriga mais de 2,7 mil espécies de peixes
15/09/2026
Temperatura máxima já aumentou mais de 3°C em área preservada da Amazônia
15/09/2026
