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Como é a ´serpente gigante´ que cientistas querem usar para limpar os oceanos

11/09/2018

Quando o adolescente holandês Boyan Slat entrou no mar na Grécia há sete anos, ficou surpreso ao ver mais plástico do que peixe na água. Ficou tão incomodado com a poluição que começou a fazer campanha pela limpeza dos oceanos.
Durante muito tempo, poucas pessoas o levaram a sério. Era apenas um universitário com uma ideia na cabeça. Uma ideia que, à primeira vista, parecia estapafúrdia.
Mas, neste sábado, com o respaldo de grandes investidores e um ambicioso trabalho de engenharia, Slat conseguiu lançar um enorme sistema de coleta de plástico que se assemelha a uma serpente. O dispositivo saiu da baía de São Francisco (EUA) com destino à grande "ilha de lixo" do Pacífico - que fica localizada entre a Califórnia e o Havaí.
Até agora, o foco das campanhas de coleta de plástico tem sido nas praias e consiste, basicamente, em reunir voluntários ao redor do mundo para recolher sacolas plásticas e garrafas do litoral.
Mas poucas são as iniciativas de tentar limpar os oceanos por dentro.
Alguns especialistas se mostram céticos com a iniciativa de Slat. E, apesar dos testes e simulações digitais, ninguém sabe ao certo se a "serpente" vai funcionar.
Por um lado, alguns acham que poderia ser uma distração para o problema mais eminente: o despejo de plástico no mar. Por outro lado, há o receio de que a operação possa causar sérios danos à vida marinha.
Mas Boyan Slat e sua equipe da organização sem fins lucrativos The Ocean Cleanup (A Limpeza do Oceano, em tradução livre) estão convencidos de que a enorme quantidade de plástico nos oceanos exige ação imediata.
O objetivo da equipe de Slat é alcançar o Pacífico oriental, em especial a ilha da sujeira, onde as correntes circulares marinhas têm concentrado uma grande quantidade de plástico em uma única área.
A meta é reduzir à metade a contaminação dessa área a cada cinco anos, de modo que em 2040 todo o lixo tenha desaparecido.
"Temos muita pressa", disse Lonneke Holierhoek, diretora de operações do projeto, cuja sede fica em Rotterdam, na Holanda.
O governo holandês é um dos principais patrocinadores, junto com algumas empresas e investidores endinheirados. O projeto, estimado em pelo menos US$ 20 milhões (R$ 80 milhões), já deixou de ser uma ideia de um jovem para se transformar numa iniciativa internacional.

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