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Soja avança no Cerrado do Matopiba e desafia o futuro

25/09/2018

Do alto da Chapada das Mangabeiras, no Tocantins, por onde se estende sua plantação de soja, o produtor paulista Sergio Bueno vislumbra uma imensidão de veredas e savanas. À sua frente, o maior remanescente do Cerrado, o mais ameaçado dos biomas, onde está a maior fronteira agrícola do mundo. Uma oportunidade econômica para o Brasil e um desafio de sustentabilidade planetário.
A fazenda fica no coração do Matopiba, uma região do Cerrado com área superior à da França que ganhou o nome das iniciais dos estados que abrange: Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Por ser a última grande fronteira agricultável da Terra e abrigar a maior parte dos remanescentes do Cerrado (65%), o Matopiba foi escolhido pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) — a mais importante agência financiadora ambiental, criada pelo Banco Mundial — e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) para um programa que usa incentivos econômicos para estimular a expansão da soja sustentável.
A soja é a principal commodity agrícola de exportação do Brasil. Deve atingir este ano a maior safra da história, com 119,3 milhões de toneladas, 4,6% superior à passada. O Matopiba já responde por cerca de 11% da soja. A área plantada cresceu 253% entre 2000 e 2014, último dado disponível. O desmatamento ali avança num ritmo quatro vezes maior que na área mais vulnerável da Amazônia Legal.
Ao preservar além do que manda o Código Florestal e usar técnicas de cultivo que protegem o solo, a fazenda Agrícola Rio Galhão, de Bueno, está entre as primeiras selecionadas do programa-piloto “Parceria para o Bom Desenvolvimento”. O consultor da Sociedade Rural Brasileira (SRB) Gabriel Ferreira explica que a ideia é criar um cadastro positivo de produtores com boas práticas, que será oferecido a bancos públicos e privados e a tradings (comercializadoras de grãos) no Brasil e no exterior, para que os participantes tenham acesso mais fácil a crédito e condições melhores de financiamento, além de prioridade na venda da produção. Serão 50 produtores, numa área de até um milhão de hectares.
Como o crédito para agricultura de baixo carbono ainda é escasso e complexo, Ferreira acredita que o programa será atraente. Hoje, por exemplo, tradings que operam no Oeste da Bahia só compram soja de propriedades com o cadastro ambiental regularizado. O projeto oferece consultoria sobre regularização fundiária, mapeamento e técnicas sustentáveis.

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