
23/10/2018
Moradores da Gávea integrantes do movimento "37 das Acácias" fizeram um protesto contra a derrubada de 37 árvores de um terreno na Rua das Acácias, no bairro da Zona Sul, para a construção, segundo eles, de um empreendimento de luxo. Residentes que tiveram acesso ao projeto afirmam que a construção, projetada pelo arquiteto Indio da Costa com paisagismo do escritório de Burle Marx, terá quatro pavimentos com sete suítes, 14 banheiros, salão de festa, bar, academia, oito vagas de garagem e até elevador. No local, garantem os integrantes do movimento, só é possível a construção de uma residência unifamiliar — o que proíbe, por exemplo, uso do empreendimento como hospedagem.
— O Projeto foi aprovado pela secretaria de Urbanismo, mas isso não faz dele uma coisa boa como ocupação desde terreno. Derrubam 37 árvores, causando impacto ambiental. Vão replantar mudas, mas isso não resolve impacto. A Gávea tem muita mansão à venda. A pessoa não precisa vir num terro que é uma linguiça fazer uma casa de 700 metros quadrados com 14 banheiros — critica Sandra Senra, advogada, de 65 anos.
A dermatologista Thula Santos Aguiar se mudou para o bairro há três meses. Agora, ela lamenta ter perdido a vista da nova residência para a floresta:
— Sempre morei em Laranjeiras e me mudei para um apartamento que tinha vista em todos os cômodos para uma floresta. Essa semana eu vi que a motoserra começou a trabalhar numa floresta com árvore de mais de 25 metros de altura. Além das árvores, esse espaço é local de procriação de inumera espécies da Mata Atlântica, como macaco-prego e tucano.
Já o aposentado René Machado, de 72 anos, vizinho ao terreno onde as árvores foram retiradas, cresceu na Rua das Acácias. Para ele, os proprietários do imóvel, que iniciaram a obra com a retirada da vegetação, poderiam ter dialogado com os demais moradores da região.
— Pegou todo mundo de surpresa porque não houve apresentação. Foi um desmatamento brutal. A árvore já está cortada. Eu nasci aqui. Eles cortaram árvores centenárias. Não é reserva ambiental, mas destruíram fauna, flora e vão fazer uma casa absurda. Como você vai ter uma casa de 14 banheiros? — questiona, indagando sobre o real uso da propriedade.
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