
01/11/2018
O futuro ao alcance do país é o foco da mais robusta análise realizada sobre os avanços, as oportunidades e as deficiências da ciência e da inovação atuais no Brasil. Preparada por 180 eminentes cientistas de todas as áreas do conhecimento e levada adiante pela Academia Brasileira de Ciências (ABC), a análise é resultado do Projeto de Ciência para o Brasil. É um cenário que vai da Amazônia ao agronegócio, da zika ao câncer e do petróleo ao grafeno. O acadêmico Jérson Lima Silva, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro, um dos organizadores do trabalho, recém-lançado em livro, diz que o país tem perdido relevância, mas possui as condições para ser líder.
Por que a ciência ainda não recebeu a devida importância no Brasil?
O maior obstáculo está no nível de escolarização da população, muito abaixo dos países desenvolvidos e mesmo de pares do BRICS. Outro empecilho é que os tomadores de decisão (governo nacional, parlamento, empresários, entre outros) têm pouco acesso ao conhecimento gerado nas universidades e institutos de pesquisa.
Cerca de 25% de nosso PIB vem da agricultura. O quanto ela depende da ciência?
A ciência foi essencial para a agricultura. O marco zero foi na década de 1960, quando a pesquisadora Johanna Döbereinerdescobriu o potencial de bactérias na substituição da adubação nitrogenada. Isso foi crucial para a cultura de soja, e representa uma economia anual de cerca de US$ 2 bilhões. Há muitos desafios no setor agropecuário. Fundamental é o Cerrado, principal região produtora de soja, milho, algodão, café irrigados, açúcar e etanol, além de carne bovina, açúcar e etanol. A complexidade do bioma devido à biodiversidade e à oferta de água requer ciência para aumentar a produtividade e conservar o solo e os recursos hídricos.
E o pré-sal e a produção de energia?
O pré-sal responde por mais da metade do petróleo produzido no Brasil, mas é preciso desenvolver tecnologias para baixar os custos da exploração. Isso é urgente devido às oscilações do preço do petróleo no mercado internacional. Na área de produção de energia em geral, o maior desafio é ampliar a matriz energética de forma sustentável. Fontes renováveis como energia solar e eólica precisam de desenvolvimento. É crucial aumentar a pesquisa na produção de etanol de segunda geração, que utiliza bagaço, palha e folhas de cana-de-açúcar.
A entrevista na íntegra pode ser lida em O Globo
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