
01/11/2018
Tem motivo o aumento de jacarés sendo flagrados, quase como atração turística, nas lagoas da Barra da Tijuca e do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio. Pertencentes à espécie Caiman latirostris e popularmente conhecido como jacaré do papo amarelo , eles têm como habitat natural as águas doces e se reproduzem entre setembro e março. Daí que, nesse período, segundo especialistas, tendem a procurar ambientes menos competitivos para conseguir comida e parceiros. Outra explicação para os constantes "passeios´´ pela cidade é a atividade humana.
— Cada vez mais as áreas naturais que os jacarés usam estão sendo reduzidas, vide o aterramento de regiões alagadas da região de Jacarepaguá. Estamos destruindo a qualidade dos nossos rios, canais e lagoas. Então, eles se refugiam em áreas onde conseguem obter recursos. É um grito de sobrevivência — conta o biólogo Ricardo Freitas, do Instituto Jacaré.
No fim de semana, um vídeo obtido pelo biólogo Mário Moscatelli mostrou um animal sendo provocado por curiosos que estavam à beira da Lagoa da Tijuca. A imagem chamou a atenção da equipe da Secretaria municipal de Conservação e Meio Ambiente, que, em nota, afirmou que "fará um estudo para atualizar a população de jacarés na cidade, assim como um diagnóstico da mudança de hábitos dos mesmos, provocadas por alterações do habitat".
Segundo Freitas, o jacaré de papo amarelo é o único tipo existente na Região Fluminense. A espécie até sobrevive em águas salinas, mas é nas lagoas e canais de água doce que ocorre a alimentação e a reprodução. O animal pode pesar até 130 quilos e chegar a 3,5 metros de comprimento. Tudo depende do tipo de alimentação. De acordo com Freitas, a espécie tem uma dieta diversificada e come "tudo o que você pode imaginar".
O que fazer quando vir um jacaré
° Não chegar perto e evitar contato
° Não alimentar, caso ele apareça na beira de canais, rios ou lagoas
° Se o animal estiver na rua, mantenha distância e chame o Corpo de Bombeiros
— Em época de reprodução, o jacaré fica com a região do papo amarelada. São animais com focinho curto, mas com a boca larga para capturar presas mesmo com carapaças muito duras, como as tartarugas. Comem também peixes, mamíferos, anfíbios... E é uma das poucas espécies que resistem a ambientes muito impactados pela poluição, como o Rio — explica.
Por volta de 12h desta segunda-feira, 29, um jacaré chamava a atenção de quem passava perto do Canal das Tachas, que corta a Rua Gilka Machado, no Recreio. O pintor Ronaldo de Souza, de 56 anos, mora na região há 40 e disse que está acostumado. Ele já chegou a ver mais de dez répteis aglomerados:
— Colocaram até uma proteção de concreto ao redor do rio, porque eles saem e ficam andando na rua. Mas não tenho medo, porque eles não atacam ninguém. Eu vejo gente alimentando os jacarés. O pessoal costuma jogar sobra de churrasco. Sei que não pode, porque assim ele vira um bicho traiçoeiro.
Para saber mais, acesse O Globo
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