
22/11/2018
Se por um lado pesquisadores destacam a redução de 2,3% nas emissões de gases de efeito estufa no Brasil em 2017 , divulgada nesta quarta-feira, o clima é de alerta e preocupação para o futuro, principalmente em relação ao fator que justamente puxou a queda das emissões: a redução do desmatamento na Amazônia. Autoridades e ambientalistas presentes no 6º Seminário Nacional sobre Emissões de Gases de Efeito Estufa, realizado em São Paulo, afirmaram temer um retrocesso nas políticas de Meio Ambiente, com diminuição do protagonismo brasileiro na área, corte de recursos, retrocesso em legislações e aumento da violência em regiões florestais.
A hostilidade já é realidade na fiscalização de desmatamentos e madeira ilegal, e pode piorar, contou a presidente do Ibama, Suely Araújo.
— Mantivemos o número de operações em relação ao ano passado, foram mais de 200 na Amazônia. Multiplicamos a quantidade de madeira apreendida e intensificamos a fiscalização. Mas não tem sido fácil. Temos equipes recebidas a bala — afirmou.
Suely se disse preocupada, ainda, com a legislação ambiental a curto prazo, principalmente em relação ao uso de agrotóxicos e questões de licenciamento ambiental.
— Se for a voto a lei geral, temo pelo conteúdo que sairá do Congresso. E, em tempos de pós-verdade, há narrativas bastante estranhas sobre o licenciamento ambiental — disse.
A presidente do Ibama lembrou o episódio em que o governo eleito apontou o Ministério do Meio Ambiente como uma "indústria de multas". Declarações que insinuaram o fim do Ministério do Meio Ambiente ou a saída do Brasil do Acordo de Paris também elevaram a preocupação.
Por isso, até agora os sinais não são nada positivos, afirmou o ex-ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho. Segundo ele, é preciso criar pontes com o novo governo, sem "partidarizar" a questão ambiental, mas se definiu cético em relação a um avanço em políticas de conservação.
— Não vejo como um governo que queria acabar com o Ministério do Meio Ambiente possa despertar otimismo. Não tenho dúvidas de que o desmatamento vai aumentar. Vamos ter que nos apegar ao Ministério Público, ao poder Judiciário. A sociedade precisa se mobilizar já, desde agora — afirmou.
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