
27/11/2018
"Minha casa fica aqui, ao pé da montanha", diz o chileno Cristóbal Undurraga, apontantando, animado, para uma foto de sua propriedade, a vinícola Koyle. Sorridente, extremamente informal, Undurraga é o primeiro enólogo de uma família que produz vinhos há mais de 100 anos. Desde que criou a Koyle, em 2008, tornou-se também um pioneiro, na América Latina, na produção de vinhos biodinâmicos. Segundo esse método, o agricultor deve buscar que seus cultivos estejam em harmonia com o meio ambiente. Não são usados agrotóxicos, por exemplo. E mesmo o adubo empregado é feito a partir do que é produzido na propriedade:
— Tudo o que entra na vinícola é produzido lá. É um ciclo fechado — explica Undurraga.
Segundo ele, o método garante que o vinho expresse as características do local onde a uva é plantada. E tenha maior qualidade. Foi para aprender a sintonizar essa harmonia fina com a terra que Undurraga se mudou para a propriedade. Diz ele que, num futuro próximo, os grandes vinhos do mundo “serão todos orgânicos ou biodinâmicos”. Undurraga esteve no Brasil para um workshop promovido pela importadora Grand Cru. Aproveitou para conversar com O GLOBO.
A Koyle produziu vinho orgânico ante de migrar para o cultivo biodinâmico. Qual a diferença?
Há distinções grandes. Na produção orgânica, não são empregados fertilizantes químicos. Os produtos usados no cultivo têm origem orgânica. Na biodinâmica, o objetivo é evitar os “inputs” na propriedade, de modo que ela seja auto-sustentada. Os compostos que uso, por exemplo, vêm da alimentação dos animais que crio. É como se eu fabricasse meu próprio medicamento. Isso significa que o vinho será um reflexo direto da propriedade. Será único. É o que busca a biodinâmica, fugir à padronização.
O senhor nasceu numa família de vinicultores muito tradicional. Como surgiu o desejo de produzir vinhos biodinâmicos?
Minha família produz vinhos desde 1885. Vendemos nossa vinícola, a Undurraga, em 2006, e logo criamos a Koyle. Foi pouco antes de eu voltar ao Chile, depois de passar sete anos estudando como os vinhos eram produzidos nas maiores regiões vitivinícolas do mundo. Estive na Califórnia, na Austrália, em Bordeaux (na França) e em Mendoza (Argentina). Foi na Austrália que conheci a agricultura biodinâmica. Em 2008, apresentei o conceito à minha família. Na ocasião, a Koyle produzia de maneira química. De saída, propus que mudássemos para a produção orgânica e, posteriormente, para a biodinâmica. Para uma família tão tradicional quanto a minha, a proposta foi uma surpresa.
Para ler a entrevista completa, acesse O Globo
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