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Mudanças climáticas provocam impacto na saúde da população global, alerta estudo

29/11/2018

A população mundial está cada vez mais vulnerável ao calor, que provoca estragos em diversas áreas, da proliferação de doenças à perda de horas de trabalho. Em países em desenvolvimento, como o Brasil, a poluição atmosférica e o precário sistema de saúde, incapaz de atender as populações mais vulneráveis, estão entre os principais obstáculos. O diagnóstico é resultado de uma pesquisa elaborada por 27 instituições internacionais publicado nesta quarta-feira na revista “The Lancet”.
Os efeitos do aquecimento global serão mais sentidos por trabalhadores ao ar livre e idosos que vivem em centros urbanos. Enfermidades comuns em localidades tropicais, como cólera e dengue, serão cada vez mais comuns em regiões de clima temperado, já que os mosquitos transmissores das doenças encontrarão condições para se proliferar.
O relatório analisa 41 indicadores, separados em uma série de temas, e lista as medidas urgentes necessárias para proteger a população do impacto das mudanças climáticas. Entre as iniciativas recomendadas estão regulamentações trabalhistas mais fortes, que protejam os trabalhadores de extremos de calor, e maior investimento em infraestrutura de hospitais e centros e saúde.
Estima-se que mais de metade (51%) das 478 cidades de todo o mundo pesquisadas no relatório terão a infraestrutura de saúde pública seriamente comprometida pelas mudanças climáticas. Segundo o estudo, 65% dos municípios avaliados disseram que já concluíram ou estão atualmente realizando avaliações de risco ligadas às alterações do clima.
Ainda assim, o levantamento calcula que apenas 4,8% do orçamento dedicado à adaptação às mudanças climáticas tem relação com políticas de saúde pública — um percentual considerado irrisório.
De acordo com a edição 2018 do relatório “The Lancet Countdown sobre Saúde e Mudanças Climáticas”, elaborado em parceria com o Banco Mundial e a OMS, o calor extremo provocou a perda de 153 bilhões de horas de trabalho no ano passado. Somente a China perdeu 21 bilhões de horas, o equivalente a um ano de trabalho para 1,4% de sua população ativa.
Os idosos estão entre as principais vítimas das mudanças climáticas. Nos principais centros urbanos da Europa, 42% dos cidadãos acima de 65 anos estão vulneráveis à exposição ao calor.
A poluição atmosférica urbana é outro motivo de preocupação, já que este problema ganha ainda mais força com o aumento da temperatura. Nos países de baixa e média renda, 97% das cidades não atendem às diretrizes da qualidade do ar determinadas pela OMS.
— O aumento da mortalidade em ondas de calor extremas não é algo que possa vir a acontecer. É algo que já está acontecendo e que se intensificará à medida que as temperaturas globais continuam a subir — explica Kris Ebi, professora do Centro de Saúde e Meio Ambiente Global da Universidade de Washington. — Há evidências abundantes de que as comunidades não estão preparadas para os aumentos contínuos na frequência, intensidade e duração das ondas de calor.
Hugh Montgomery, copresidente da Lancet Countdown sobre Mudanças Climáticas, alerta que a exposição e a vulnerabilidade ao calor extremo são “inaceitavelmente altas e crescentes para pessoas em todo o mundo”.
— O estresse por calor está afetando muito, particularmente entre os idosos urbanos e aqueles com problemas de saúde subjacentes, como doenças cardiovasculares, diabetes ou doença renal crônica — critica. — Em altas temperaturas, o trabalho ao ar livre, especialmente na agricultura, é perigoso. Áreas do norte da Inglaterra e da Califórnia, até a Austrália, estão vendo incêndios florestais com mortes diretas, deslocamento e perda de habitações, bem como impactos respiratórios causados pela inalação de fumaça.
Na análise da segurança alimentar, o relatório indica que 30 países experimentam redução no rendimento das colheitas, um problema ligado aos eventos climáticos extremos.

Fonte: O Globo

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