
03/01/2019
A Comlurb retirou 21,8 toneladas de peixes mortos da Lagoa Rodrigo de Freitas, Zona Sul do Rio, até o fim da manhã do dia 21 de dezembro.
Na manhã de quinta, uma grande quantidade de peixes mortos boiando chamou a atenção de quem passava pelo local. Segundo o biólogo Mario Moscatelli, as mortes dos peixes podem ter sido causadas por um conjunto de fatores.
"A princípio, você tem lançamento de esgoto, tem o canal do Jardim de Alah que está assoreado e não está havendo troca de água. E esse maçarico ligado. Eu já entrei aqui dentro da água e a água parece banho-maria. Não tem oxigênio para os peixes e o bicho está morrendo", explicou o biólogo.
Para o biólogo David Zee, o risco desta mortandade era iminente dado o calor excessivo. Segundo ele, a água poluída da Lagoa funciona como alimento para o crescimento acelerado e anormal de microalgas, e o aumento das horas de insolação torna esse processo ainda mais rápido.
Ainda segundo o biólogo, o fenômeno climático El Niño promove as altas temperaturas no sudeste brasileiro, e o bloqueio das entradas de frentes frias deixa as águas costeiras do Rio de Janeiro estagnadas. O biólogo também informou que a baixa renovação das águas da Lagoa Rodrigo de Freitas agrava ainda mais a situação.
Moscatelli afirma que a situação da Lagoa Rodrigo de Freitas melhorou nos últimos anos, mas que estamos em uma outra condição climática.
"A gente precisa se atualizar e evitar esgoto, evitar o assoreamento do canal do Jardim de Alah. E precisa entender o que está acontecendo a cada ano, cada vez mais quente e atuando diretamente no ecossistema. A Lagoa é um ecossistema naturalmente frágil. Se a gente não se modernizar, isso vai ser uma prática comum a cada verão", destacou Moscatelli.
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