
08/01/2019
Um céu povoado por garças, patos selvagens, periquitos multicores e mais de três dezenas de espécies de aves cobre o espelho d’água de lagoas rasas e alagados. É um lugar habitado por antas, lontras e jacarés, cenário da exuberância da Mata Atlântica das baixadas litorâneas do Rio de Janeiro que havia sido extinto e voltou à vida na Reserva Ecológica de Guapiaçu (Regua), em Cachoeiras de Macacu, a menos de duas horas do Centro do município do Rio. Para resgatar essa fina flor do passado, lá se experimenta restauração com base em ciência, gestão do setor privado e parcerias com empresas, poder público e centros de pesquisa.
Os alagados são emoldurados pelas montanhas da Serra do Mar, numa área contígua ao Parque Estadual dos Três Picos. Protegidas dos caçadores pelos guardas da Regua, as florestas voltaram a ser habitadas por alguns dos animais mais raros do Terra. Entre eles, o muriqui-do-sul, o maior dos macacos das Américas, e o macuco, uma ave terrestre de meio metro de altura parente do falecido moa da Nova Zelândia, um dos símbolos mais conhecidos da extinção mundial.
— As florestas da Regua protegem uma riqueza que impressiona. Isso só foi possível porque os proprietários preservam e restauram a mata e mantém guarda-parques muito comprometidos com a conservação. Eles realmente botam os caçadores para correr. Seguros, os animais estão voltando e todo o ambiente é revigorado — afirma o biólogo André Lanna, pesquisador da UFRJ, cuja tese de doutorado faz um levantamento da fauna da Serra do Mar na Regua e no Parque Estadual dos Três Picos.
Ele e o irmão, o botânico João Lanna, instalaram uma rede armadilhas fotográficas na copa das árvores e, com isso, captar imagens até agora impossíveis do comportamento social dos muriquis. Um novo mundo em plena Região Metropolitana do Rio.
É também uma “floresta de sobreviventes”, nas palavras de Gustavo Martinelli, um dos maiores botânicos do país e coordenador do Centro Nacional de Conservação da Flora /Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
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