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Patrimônio Histórico da Humanidade, Cais do Valongo sofre com lixo e descaso

21/03/2019

A falta de conscientização, potencializada pela presença de milhares de foliões no carnaval e a ocorrência recente de chuvas fortes, resultou num problema que vem se tornando recorrente no Cais do Valongo: o acúmulo de sujeira. Nas últimas semanas, o mato alto, o lodo e o lixo espalhado pelo chão assustaram visitantes do local que é Patrimônio Histórico da Humaidade pela Unesco, por ser o único resquício material da chegada dos escravos nas Américas. Segundo moradores e comerciantes locais, apesar da presença constante da Comlurb, que fez a limpeza nessa quarta, a preservação do sítio arqueológico é dificultada pelos alagamentos e ausência de políticas públicas adequadas. De acordo com relatos, um dos problemas é o descarte irregular de resíduos pelo Hospital Federal dos Servidores do Estado e comerciantes da área. Até cabeças de galinha já foram encontradas jogadas pela região.
Uma funcionária de uma lanchonete da esquina em frente ao cais, que se apresentou apenas como Aparecida, reclamou dos bueiros da via, que estariam entupidos. Procurada, a direção do Hospital Federal dos Servidores do Estado informou que “todos os resíduos de serviços de saúde são recolhidos regularmente por empresas contratadas e descartados em local apropriado”.
Uma funcionária do setor de Gestão de Resíduos mostrou à reportagem o abrigo de lixo do hospital e disse que há alguns anos o caminhão de recolhimento acessava o local pelo portão ao lado do Cais do Valongo, o que poderia deixar resíduos pelo caminho, mas que isso não mais ocorre.
Anualmente, a Mãe Celina de Xangô faz a lavagem simbólica dos chãos de pedra do Cais do Valongo. Moradora da Avenida Sacadura Cabral, poucos metros distantes do sítio, ela é membra do Comitê Gestor do cais, diretora do Centro Cultural Pequena África e participou do processo de redescoberta do local. Toda essa relação com a Zona Portuária e referências históricas da cidade é carregada quando ela fala, com lamento, da situação do Cais do Valongo.
— Se o problema fosse só a limpeza, estava bom — afirma ela, preocupada com o futuro do espaço, por causa do “governo que temos”.
A líder religiosa destaca a falta de preocupação das autoridades com a situação:
— É um dos piores momentos das nossas vidas. Falo como mãe de Santo, negra ativista e moradora da Zona Portuária. O Cais do Valongo é um sítio de grande valia, mas o descaso é muito grande. Não existe política pública para preservação, quando chove, alaga tudo, é muita sujeira. Um desrespeito muito grande com a nossa história.

A matéria completa pode ser lida em O Globo

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