
28/03/2019
No próximo sábado (3) vai ter “Hora do Planeta”. Isto quer dizer que das 20h30 às 21h30 todas as pessoas, de todo o mundo, devem apagar as luzes e se dedicar, durante este tempo, em casa ou na rua, com amigos, em grupos, a pensar sobre o que é possível fazer para defender a Terra de nós mesmos. É uma cerimônia, uma espécie de rito, ao qual nem todos se sentem convidados por divergirem da necessidade de mudança de hábitos, de consumo e de produção. Aqui neste espaço, porém, creio que a maioria dos leitores se sensibiliza. E se sentirão dispostos a engrossar o time daqueles que, de uma forma ou de outra, neste fim de semana estarão refletindo sobre um novo modelo civilizatório.
As mudanças podem ser sutis, e cada uma valerá ouro. Sabem para quem? Para nós mesmos! Eis a bala de prata.
Em entrevista ao britânico “The Guardian” , a irlandesa Mary Robinson, que foi presidenta em seu país, atuou como Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos e hoje põe em pauta o espinhoso assunto que envolve os impactos das mudanças climáticas sobre a população mais pobre do planeta, põe o dedo na ferida e não poupa críticas aos céticos do clima:
“Acredito que a negação da mudança climática não é apenas ignorante, é maligna e equivale a uma tentativa de negar os direitos humanos a algumas das pessoas mais vulneráveis do planeta", disse Mary Robinson.
Chamou-me a atenção na entrevista, além do recado direto e contundente aos negacionistas – sim, é preciso passar a dar a estas pessoas a responsabilidade que têm num processo que precisa do coletivo para ter bons resultados – a forma simples que Robinson usou para dar início às mudanças em sua própria vida: não come mais carne de espécie alguma. Aos 75 anos, ela pode ser um exemplo para quem acha ainda que é preciso ingerir proteína animal diariamente.
Robinson é dura em seu discurso, afirmando que as claras evidências sobre os efeitos das mudanças climáticas exigem ações urgentes.
“É uma injustiça que as pessoas que contribuíram menos para as causas do problema sofram os piores impactos da mudança climática. Na África, vi os impactos devastadores sobre os agricultores, moradores e comunidades pobres porque eles não podem prever quando a estação chuvosa vai chegar”, alertou ela, que fez este mesmo discurso para a plateia de convidados ao Jardim Botânico Real de Kew, em Londres, quando Robinson recebeu uma medalha por seu trabalho com relação à justiça climática.
A matéria pode ser lida no G1
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