
02/04/2019
Uma grande quantidade de algas foi vista no mar de Fernando de Noronha. As manchas, vistas de avião, chegaram a ser confundidas por moradores da ilha com óleo, no domingo (31). Em 2015, o fenômeno das algas errantes, com uma grande quantidade de algas, foi registrado nas praias da ilha, mas ainda não é possível afirmar que seja o mesmo.
O engenheiro de pesca Léo Veras vê semelhanças climáticas deste ano com o período do surgimento das algas errantes, em 2015, mas ainda é preciso aguardar para analisar a situação.
“Nós temos uma condição climática muito parecida com a época do fenômeno das algas [em 2015]. Pouco vento, muito calor e indefinição de sistemas de correntes e calmaria. Isso cria vórtex (um escoamento giratório onde as linhas de corrente apresentam um padrão circular ou espiral), concentrando as algas em um ponto particular”, analisa Veras.
Veras aponta que o aumento da temperatura favorece o fenômeno. “A alga absorve a luz do sol e aquece, isso promove um crescimento muito rápido, fenômeno que não era comum em Noronha, mas devido ao aquecimento global é provável que se torne cada vez mais frequente”, Léo Veras.
O registro aéreo foi feito pelo gerente de transportes marítimos, Arlindo Santos Júnior. “Eu estava pousado na ilha, no domingo (31), e identifiquei as manchas, pensei até que fosse óleo, mas lembrei que li sobre o assunto das algas”, conta.
O vendedor de bebidas, Dayvson Reis, também identificou as algas na praia Cacimba do Padre. “Ao longo de toda a praia, surgiram as algas avermelhadas. Uma curiosidade é que, logo após as algas, surgiu um cardume de sardinha e predadores, os peixes maiores seguem as sardinhas”, relata Dayvson.
Veras acredita diz que a quantidade de peixes em Fernando de Noronha pode aumentar. “Um dos eventos que nós registramos com o aumento de algas é um crescimento da quantidade de sardinhas na ilha. Isso também atrai a vida selvagem e, por consequência, predadores que vêm comer sardinhas e até mesmo tubarões. Vamos observar a sucessão de acontecimentos”, diz o engenheiro de pesca.
Fonte: G1
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