
30/04/2019
A proliferação do mexilhão-dourado tornou o molusco uma praga nos rios e nos reservatórios de água doce da região Sul do Brasil. Seu principal impacto é econômico: a espécie se fixa em superfícies submersas e forma incrustações que trazem prejuízo financeiro em usinas hidrelétricas. Suas colônias podem atingir densidades de mais de 100 mil indivíduos por metro quadrado.
O molusco já está presente em pelo menos 50 hidrelétricas brasileiras, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Uma usina de pequeno porte afetada tem prejuízo diário de cerca de R$ 40 mil a cada dia de paralisação. A Usina de Itaipu, que está na lista de atingidas, aumentou o volume de manutenção das turbinas após a chegada da espécie invasora, gerando custos diários extras de cerca de US$ 1 milhão por dia de limpeza.
O mexilhão-dourado é uma das três espécies exóticas invasoras que são alvo de planos de controle do Ibama. Em dezembro de 2018 o órgão publicou o Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Mexilhão-dourado no Brasil.
O documento tem dois objetivos principais. O primeiro é prevenir a dispersão do molusco em áreas não-invadidas e controlar a população das áreas invadidas durante os próximos cinco anos. No período de 25 anos, a meta é a manutenção de bacias hidrográficas não-invadidas, com prioridade para as regiões hidrográficas Amazônica e Tocantins-Araguaia.
Para isso, o Ibama promete no plano estimular a pesquisa científica sobre o tema e difundir informações importantes para o controle e prevenção da espécie.
Nesta semana, o Desafio Natureza do G1 publica uma série de reportagens sobre impactos ambientais, sociais e econômicos que as espécies invasoras causam a partir da história do javali, do sagui-de-tufos-pretos, do mexilhão-dourado e do pinheiro.
Além disso, a espécie pode causar problemas em estações de tratamento de esgoto e de água. “Já existem estações de tratamento de água que foram contaminadas pelo mexilhão no Paraná e Rio Grande do Sul e, por enquanto, não há nenhum produto liberado para combater a espécie nesse tipo de ambiente”, explica Otto Mäder, engenheiro mestre em engenharia de materiais pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).
“Esse vai ser o próximo desafio da invasão de mexilhão-dourado no Brasil.”
O prejuízo trazido pela espécie asiática também é ambiental. Por ser um animal filtrador, ele se alimenta de várias espécies nativas dos rios brasileiros. De acordo com o Ibama, sua presença já foi registrada em ao menos 27 unidades de conservação, incluindo parques estaduais e estações ecológicas.
Como a invasão é recente – começou nos anos 1990 e ganhou força a partir de 2001 – os resultados do desequilíbrio ambiental ainda estão sendo estudados. No entanto, já se sabe que sua presença afeta o ciclo de nutrientes no ambiente aquático e promove mudanças na fauna de peixes.
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