
04/06/2019
Pesquisadores estão trabalhando dia e noite para solucionar um mistério que envolve um lugar que é cartão-postal de Belo Horizonte.
Lagoa da Pampulha: endereço de joias da arquitetura moderna brasileira, patrimônio cultural da humanidade. Esse é o cenário de um desafio que tem mobilizado biólogos, ambientalistas e o poder público. Eles se juntaram para fazer um levantamento estatístico incomum: contar, um por um, os maiores animais, da mesma espécie, que moram na lagoa.
A melhor forma de encontrar com eles é ir para a água: tem colete, barco, agora é só esperar o horário em que eles ficam mais calminhos, quando costumam até posar para a câmera: à noite.
Rastreador de bicho que se preza não sai para trabalhar sem um bom facho de luz, porque é ele que faz os olhos brilharem na escuridão.
“Ele reflete a luz da lanterna. A gente consegue localizar e se aproxima para ver a faixa etária”, disse o biólogo Carlos.
Os jacarés vão surgindo um atrás do outro. Os pesquisadores descobriram que eles preferem viver na porção oeste da lagoa e são todos da espécie jacaré-de-papo-amarelo.
Entre filhotes, adolescentes e os grandões, com quase dois metros de comprimento, a conta já chegou a 16 animais. Tem um segredinho para não contar o mesmo bicho duas vezes: as marcas de identidade. A foto de frente de um revela que ele é banguela. Outro tem uma cicatriz perto da perna traseira direita. Um dos jovens tem o couro mais claro. E outro, recém-nascido, não sai de perto de mãe por nada.
Em mais um momento fofura, um bebê jacaré parece praticar natação. O biólogo disse que a mineirada pode ficar sossegada, porque carne humana está fora do cardápio deles.
“Os jacarés comem aves, peixes, pequenos mamíferos. Mas uma curiosidade é que todas as classes etárias dos jacarés, inclusive os adultos, se alimentam de moluscos, os caramujos que ficam na lagoa”, explicou o biólogo Carlos Castro.
Essa pesquisa já foi feita com as capivaras da Lagoa da Pampulha. A Secretaria de Meio Ambiente da prefeitura de Belo Horizonte acha importante fazer Censo dos animais, pois é um meio de manter os ambientes da cidade em equilíbrio, para todos que vivem nela.
“A gente acaba percebendo que a gente não é uma sociedade multicultural, multirraça, multietnias. A gente é uma sociedade multiespécie também. A gente está nesse estudo agora procurando catalogar, pesquisar e preservar. Mas a nossa fauna é muito rica. Nossa fauna urbana é muito mais rica do que a gente pensa realmente”, analisou Leonardo Maciel, gerente de Defesa dos Animais da Prefeitura de Belo Horizonte.
Fonte: G1 / JN
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