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Japão volta a caçar baleias após 30 anos de proibição

02/07/2019

Navios japoneses caçaram com arpão, nesta segunda-feira (01), duas baleias em águas japonesas, inaugurando a retomada da caça comercial desse animal, interrompida por mais de três décadas. O retorno ao mar dos baleeiros se dá após a decisão do governo de deixar a Comissão Baleeira Internacional (CBI) há seis meses.
Duas baleias Minke foram caçadas por embarcações que zarparam na manhã desta segunda do porto de Kushiro (ilha de Hokkaido), depois de uma cerimônia na qual vários políticos defenderam a legitimidade da tradição. Pelo menos um dos barcos retornou à tarde, no horário do Japão, ao porto e descarregou suas presas. Até o fim do ano, 227 baleias serão capturadas, informou a Agência Pesqueira do Japão.
- É uma pequena indústria, mas estou orgulhoso da caça às baleias. A prática existe há mais de 400 anos na minha cidade - disse à AFP Yoshifumi Kai, presidente da associação de baleeiros, animado em voltar ao mar.
Para Hideki Abe, é algo novo. Ele tem 23 anos e nunca participou de uma missão desse tipo.
- Estou um pouco nervoso, mas feliz que possamos começar. Gostaria que mais pessoas provassem carne de baleia, pelo menos uma vez - disse antes de sua partida.
O navio Nisshin Maru, o carro-chefe da frota baleeira japonesa, e outras embarcações também deixaram o porto de Shimonoseki, no sudoeste do Japão, onde há uma enorme estátua em forma de uma baleia.
- O Japão está abandonando a caça às baleias em alto mar, não é uma interrupção completa, mas é um grande passo para o fim - considerou Patrick Ramage, diretor do programa de conservação marinha do Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW).
Ele vê na retomada da caça comercial e na interrupção da pesca científica na Antártida uma espécie de última batalha para o Japão. A indústria baleeira, que conta com de 250 pescadores, "afundará rapidamente", prevê.
O Japão iniciou suas "missões de pesquisa" na Antártida e no nordeste do Pacífico há 32 e 25 anos, respectivamente, renunciando à pesca puramente comercial, mas servindo-se de uma "exceção científica". Durante essas três décadas, o arquipélago foi fortemente criticado por ambientalistas por suas maneiras de proceder, julgadas cruéis, enquanto existem métodos não letais para realizar experimentos científicos.
Além disso, embora as baleias tenham sido usadas para fins científicos, parte de sua carne acabou em peixarias, embora não seja muito popular. No entanto, algumas pessoas querem preservar uma tradição ainda ancorada em parte da população, especialmente entre os idosos, que lembram que a baleia era sua única fonte importante de proteína no período pós-guerra. Para algumas cidades, a caça à baleia representa uma razão de ser econômica, cultural e até moral.

Fonte: O Globo

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