
02/07/2019
No Planetário da Gávea, a invasão não foi extraterrestre. Mas de gambás, que deram um baita susto. De hábitos sorrateiros, os bichinhos construíram ninhos nos dutos de ar-condicionado do prédio. Era tanta folha seca acumulada, que as instalações de lâmpadas aqueceram, e surgiu uma fumaceira no último sábado à tarde. Teve quem imaginasse ser um incêndio. Resultado: um concerto de música clássica foi cancelado, o lugar foi esvaziado às pressas, e surgiram temores pela integridade de telescópios gigantes para observação do céu. Felizmente, não foi mais uma tragédia carioca. Mas os transtornos dão trabalho até agora.
— Não houve curto-circuito nem fogo algum. Há, no entanto, uma proliferação de gambás no Planetário — conta Flávio Maranhão, diretor da instituição. — Eles sempre viveram por aqui, nos jardins, onde encontram comida fácil. Mas estão procriando. Abrimos uma caixa de luz, por exemplo, e encontramos vários deles, adultos e filhotes.
Devido à confusão causada pelos marsupiais, a atração ficou fechada o fim de semana inteiro. Nesta segunda-feira, já não abriria, porque é dia de manutenção. Os trabalhos, então, concentraram-se na limpeza da sujeira deixada nos dutos. Até eletricistas foram convocados. Acharam vários ninhos, mas nenhum fio roído ou qualquer outro perigo.
— Nesta terça-feira, voltamos a abrir normalmente, a partir das 14h — afirma Maranhão.
Antes do contratempo, os gambás já tinham virado mascotes do Planetário. Às vezes atacam os biscoitos de funcionários. Volta e meio precisam ser tirados de dentro das lixeiras, onde buscam comida. Na última sexta-feira, aliás, um deles foi fotografado em cima de uma papeleira. Era um dos bitelos da trupe, conhecido como Urano, em referência ao terceiro maior planeta do Sistema Solar.
Contudo, como se percebeu que eles podem provocar problemas, agora a tarefa é descobrir por quais caminhos os marsupiais entram nos dutos, para tampá-los com grades.
— Estamos buscando ajuda para saber o que fazer. Colocar veneno, por exemplo, nem pensar. São animais silvestres. Estamos perto da mata, e passa um riacho em nosso terreno — diz o diretor da instituição.
Após o episódio do último sábado, o curador da Série Música Clássica nas Estrelas, Nelson de Franco, chegou a divulgar um comunicado. Até então, a desconfiança era que tivesse ocorrido um princípio de incêndio, causado pela ação de roedores na fiação do Planetário. A série será retomada no próximo fim de semana, com a sessão "Música nas Estrelas", às 17h.
Em dezembro do ano passado, o Planetário teve o tombamento definitivo decretado pelo prefeito Marcelo Crivella, como patrimônio cultural da cidade. Tinha sido uma forma de proteger a área de um possível leilão do terreno, que é propriedade da Companhia Estadual de Habitação (Cehab) e está cedido ao município desde 1986. O leilão serviria para sanar dívidas trabalhistas da Cehab.
Fonte: O Globo
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