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Marginais concentraram alagamentos em SP; solução não está em obras nos rios Pinheiros e Tietê

11/02/2020

O temporal que atingiu a cidade de São Paulo na madrugada de domingo para segunda-feira (10) provocou estragos especialmente graves na região das marginais Pinheiros e Tietê. Os dois rios transbordaram, o que não ocorria desde março de 2016. Segundo a Secretaria Estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente, a última vez que o rio Pinheiros transbordou totalmente, na integridade de sua extensão, foi em 2005.
Dos 89 pontos de alagamento ativos na capital às 15h, 24 estavam localizados nas marginais Tietê e Pinheiros. Muitos outros pontos registrados pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) estão em vias integradas às marginais.
Especialistas ouvidos pelo G1 apontam que a construção de piscinões não é suficiente para absorver a chuva de grande intensidade nas marginais. Segundo eles, iniciativas como melhoria na limpeza urbana e aumento da calha de pequenos rios, que deságuam nos rios Tietê e Pinheiros, poderiam evitar inundações a curto prazo.
A longo prazo, é preciso pensar em um novo planejamento urbano e investir em soluções para os rios e córregos que deságuam nos dois rios, segundo Anderson Kazuo Nakano, professor de arquitetura e urbanismo da Unifesp.
"Com relação às marginais Tietê e Pinheiros, a solução não está lá. Essas planícies são os pontos mais baixos da cidade e para onde converge toda a chuva que cai no território metropolitano." - Anderson Kazuo Nakano, arquiteto urbanista.
A Prefeitura de São Paulo e o governo estadual investem há anos em obras nos rios Tietê e Pinheiros e também em piscinões nos arredores. Desde a década de 1980 são realizadas obras de afundamento do rio Tietê: neste ano, o governo do estado anunciou investimento de R$ 55 milhões para desassorear 41 km do rio; no ano passado, foram R$ 49 milhões.
Além disso, a prefeitura também investe em um sistema de bombeamento para impedir que a água se acumule abaixo de pontes nas marginais: o Tietê possui 53 bombas sob responsabilidade do Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (Daae), que passam por manutenção semanal.
Em 2019, as equipes da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) registraram recorde de retirada de sedimentos do leito do Pinheiros, com carga equivalente à de 28 mil caminhões basculantes. Também houve a retirada de 9 mil toneladas de lixo das águas.
Em 2019, o desassoreamento foi feito ao longo de 44 quilômetros do rio e retirou mais de 400 mil toneladas de sedimentos, como areia e argila, do Tietê.
Já em 2015 foram concluídas as obras de dois pôlderes, estruturas hidráulicas artificiais que ajudam na drenagem para controle de enchentes em locais de baixa altitude próximas a rios. Os complexos de pôlderes ficam localizados na margem esquerda do rio Tietê junto às pontes da Vila Guilherme e Vila Maria.
Segundo a Emae, os pôlderes estão funcionando normalmente e, na noite de segunda (10), estão bombeando 1.800 litros por segundo na margem esquerda e outros 1.350 na margem esquerda. A empresa considera que o bombeamento fez com que a o nível d´água no trecho fosse reduzido.

A matéria completa pode ser lida no G1

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