
25/06/2020
A cidade de Verkhoiansk, na região de Sibéria, na Rússia, pode ter atingido no sábado (21) a maior temperatura da história para a região, 38°C. A cidade é uma das mais frias do mundo, tendo atingido -60°C em novembro de 2019.
Com o início do verão no hemisfério norte, a Sibéria tem vivido os impactos das mudanças climáticas após um inverno ameno e uma primavera quente. Os insetos têm devorado as árvores, as florestas queimam, e chuvas torrenciais provocam evacuações, provavelmente devido ao aquecimento global.
Os modelos científicos preveem que as mudanças climáticas causarão ondas de calor, tempestades e incêndios naturais com mais frequência. A Sibéria, um território de mais de 10 milhões de quilômetros quadrados a leste dos Urais, conhecido por seus invernos rigorosos, está na linha de frente.
"Na Sibéria, o inverno (2019-2020) foi o mais quente desde o início dos registros há 130 anos, com temperaturas médias de até 6°C acima do normal", diz Marina Makarova, meteorologista-chefe da Rosguidromet, a agência meteorológica russa.
"A primavera chegou muito antes, em abril, com temperaturas que ultrapassavam facilmente (às vezes) os 30°C", acrescenta.
No início de maio, a imprensa regional divulgou imagens dos campos floridos um mês antes do habitual. Segundo a agência pública TASS, os fabricantes de sorvetes afirmam que as vendas aumentaram 30%.
No sul da Sibéria, a Rosguidromet registrou um aumento de um terço das chuvas em relação à média, o que gerou milhares de evacuações da população no distrito de Tulun, perto do lago Baikal.
No norte de Sibéria, porém, o derretimento precoce do manto de neve deixa a vegetação e o solo secos e, com isso, os incêndios podem se espalhar mais facilmente, explica o chefe da seção florestal do Greenpeace na Rússia, Alexei Yaroshenko.
No total, de janeiro a meados de maio, os incêndios devastaram 4,8 milhões de hectares na Sibéria, incluindo 1,1 milhão de florestas boreais, conforme o último estudo da ONG, divulgado na semana passada. A área já foi dizimada por incêndios no verão de 2019.
"O aquecimento global faz os incêndios florestais se multiplicarem. Eles dobraram em dez anos", declarou à AFP Viacheslav Kharuk, chefe do laboratório de vigilância florestal no departamento siberiano da Academia Russa das Ciências.
Nos próximos anos, "a superfície dos incêndios se multiplicará entre duas e quatro vezes", alerta o cientista.
Leia a matéria completa na Folha de S. Paulo
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