
19/08/2021
A operação de limpeza de praias e mangue de Fernando de Noronha chegou ao quarto dia na terça-feira (17), totalizando 1.393 quilos de fragmentos de óleo e lixo recolhidos desde o sábado (14), segundo o Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio). Além dos resíduos, foram localizados animais mortos.
O trabalho de limpeza contou com servidores do ICMBio, militares da Marinha, técnicos da Administração da Ilha e voluntários em seis área do Parque Nacional Marinho, entre elas as praias do Sueste, Atalaia, Caieiras, Enseada do Abreu e a do Leão, região mais afetada, além do Mangue do Sueste.
“No primeiro dia, concentramos a ação nesta região [do Leão] e já sabíamos que precisaríamos voltar. Cerca de 80% dos resíduos foram recolhidos aqui, encontramos fragmentos de óleo e muito plástico”, declarou a chefe do ICMBio no arquipélago, Carla Gaitanele.
A Praia do Leão recebeu nesta terça um serviço minucioso para retirada de resíduos, que incluiu raspagem de pedras vulcânicas. “O piche se aloca entre as pedras. Essa é a maior dificuldade: remover os fragmentos de óleo e o lixo. É uma espécie de garimpagem”, disse a brigadista do instituo, Franciane Santos.
Os materiais começaram a surgir nas praias e poluir o Parque Nacional Marinho no sábado (14), mesmo dia em que começou a limpeza. Vindos do oceano, os resíduos atingiram também a área do Mangue do Sueste, o único em ilhas oceânicas do Atlântico Sul. Foram 300 quilos de lixo e óleo retirados da região na segunda.
Amostras do material recolhido foram enviadas para análise no laboratório da Marinha, afirmou a chefe do instituto. A origem dos resíduos ainda é desconhecida.
Uma ave e um filhote de caranguejo da espécie Johngarthia lagostoma foram encontrados mortos. A ave ainda vai ser analisada, mas os técnicos do ICMBio disseram acreditar que o caranguejo deve ter morrido em função do óleo.
“O caranguejo está com muito óleo, provavelmente esse óleo foi o motivo da morte do animal”, declarou o coordenador de pesquisa do ICMBio, Ricardo Araújo.
Também foram identificados na Praia do Leão dois fardos de borracha, material que tem sido identificado em outras praias do litoral.
“Esses fardos já estavam nesta área, ainda não foram removidos porque são muito pesados. É uma operação complicada e vamos programar uma ação para remover os fardos”, informou Carla Gaitanele.
A chefe o ICMBio disse, ainda, que o monitoramento das praias vai continuar a ser feito diariamente.
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