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Aquecimento global provoca aumento inédito do nível do mar na Nova Zelândia

05/05/2022

O nível do mar está subindo duas vezes mais rápido do que o previsto em algumas regiões da Nova Zelândia, ameaçando as duas maiores cidades do país, de acordo com um estudo publicado na segunda-feira (2).
Os dados sobre o litoral do país mostram que algumas áreas costeiras já cedem entre três e quatro milímetros por ano, o que acelera o processo gerado pelo excesso de emissões de gases que provocam o efeito estufa. As projeções foram feitas pelo NZ SeaRise, um vasto programa de pesquisa de cinco anos, financiado pelo governo e efetuado por uma equipe de cientistas internacional.
De acordo com as previsões apontadas no estudo, as autoridades têm menos tempo do que o previsto para planejar e se adaptar às consequências do aquecimento global. Um dos principais obstáculos é a o reassentamento dos moradores que vivem nas regiões costeiras.
Segundo Tim Naish, professor da Universidade Wellington, que co-dirigiu o programa, se em termos globais o nível do mar aumentasse cerca de meio metro até 2100, essa altura deveria atingir cerca de um metro em grande parte do arquipélago, já que a terra cede ao mesmo tempo. Essa possibilidade seria catástrósfica para Wellington, que poderia registrar um aumento do nível do mar de 30 centímetros até 2040, o que não esperado antes de 2060.
Os habitantes de Wellington poderiam, desta forma, serem vítimas, todos os anos, de graves inundações. "Temos menos tempo para agir", declarou Naish, que considera a situação "preocupante". Os dados mostram que o litoral sudeste da ilha do Norte, uma das mais povoadas da Nova Zelândia, é um dos mais expostos.
O estudo ainda revela que Auckland, com 1,7 milhão de habitantes, também é bastante vulnerável. De acordo com as previsões, o nível do mar aumentará mais 50% perto do centro e de várias periferias, o que terá repercussão no preço das casas e das seguradoras.
O programa do governo criou uma ferramenta que permite aos habitantes e às autoridades verificar a previsão para a área onde vivem, para que seja possível avaliar o risco de inundação e erosão. "Não temos mais tempo de ficar de braços cruzados", disse o cientista, pedindo às autoridades que ajam e pensem na melhor maneira de se adaptar à situação.
A premiê neozelandesa Jacinta Ardern afirmou que o planejamento para enfrentar o aumento do nível do mar já estava em andamento, incluindo o orçamento e a criação de novos locais para receber os habitantes e certas infraestruturas.
A primeira-ministra também pediu que os neozelandeses façam o possível para reduzir as emissões e limitar as consequências das mudanças climáticas. A elevação do nível do mar é resultado da dilatação térmica do oceano associada ao derretimento das calotas polares.

Fonte: g1

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