
21/06/2022
Depois de ler uma matéria sobre o uso de energia e acesso à agua quente em Ruanda, o engenheiro mecânico Faisal Ghani decidiu desenvolver uma solução sustentável e acessível para aquecer água. E foi assim que surgiu a startup SolarisKit, com sede na cidade escocesa de Dundee.
Faisal criou um kit térmico fácil de transportar e instalar que usa a energia do sol e pode fornecer água quente de forma barata e sustentável para quem vive em Ruanda e em qualquer lugar do mundo com incidência de luz solar.
Fundada em 2019, a startup participou do programa Climate Entrepreneur Accelerator, do Royal Bank of Scotland, para aprimorar ainda mais o projeto e a comercialização do kit térmico “S200”. Graças a este programa, a SolarisKit estabeleceu uma parceria com seu primeiro cliente e os kits devem ser instalados na sede da empresa em Gogarburn, Edimburgo.
O kit é relativamente pequeno, fácil de montar e transportar e não depende de eletricidade ou combustíveis fósseis para aquecer a água, ajudando a reduzir as emissões de gases de efeito estufa no processo.
Com testes realizados em junho e bons resultados, a empresa pretende comercializar os kits na Europa e já enviou 80 unidades para Ruanda. “É fundamental que a gente encontre soluções que possam ser usadas nos países ricos e também em países em desenvolvimento”, explica Faisal Ghani.
O aquecimento da água acontece de forma simples. A radiação solar incide nos vidros laterais que cobrem os tubos em espiral por onde a água passa e elevam a temperatura no interior do equipamento em até 70°C.
A água fria entra por uma extremidade da tubulação, passa lentamente pela espiral sendo aquecida pela luz do sol e depois pode ser armazenada em um tanque de água quente para ser usada. A circulação da água acontece por meio de uma pequena bomba.
Segundo Ghani, a geometria prismática do aquecedor evita a perda de calor e aumenta a capacidade do equipamento. Outra vantagem é que os kits podem ser instalados em diversos locais, desde que seja uma superfície plana, como piso ou telhados de alguns estabelecimentos comerciais, que podem usar a água quente para banhos, piscinas ou limpeza.
A facilidade de transporte e instalação reduz os custos, tornando a tecnologia acessível e a água quente pode chegar a locais afastados.
A startup estima que cada kit é capaz de evitar a emissão de 300kgs de gases de efeito estufa por ano. Atualmente, capacidade de produção é de 20 mil kits anuais e a meta é reduzir as emissões globais de carbono em 1 bilhão de quilos em cinco anos.
Outra iniciativa é o plantio de 25 árvores para cada aquecedor vendido, com a ambição de plantar cerca de 1 milhão de árvores até 2024. Ghani espera expandir os negócios nos próximos meses e já declarou a intenção de dar acesso à água quente para comunidades rurais na Índia.
Fonte: Ciclo Vivo
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