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Perda de habitat e crise climática ameaçam 41% das espécies de anfíbios no mundo, mostra estudo

05/10/2023

Os efeitos das mudanças climáticas e a degradação de habitat por ação humana estão entre as principais causas que têm levado cerca de 41% das espécies de anfíbios conhecidas no mundo à extinção.
Entre os anos de 2004 e 2022, período do estudo, houve pouca mudança nos fatores que contribuem para as ameaças aos anfíbios globalmente: as mudanças climáticas são a principal causa para 39% das espécies avaliadas até o momento —e é esperado que esse número aumente, uma vez que os efeitos a longo prazo da crise do clima na maioria dos animais ainda são desconhecidos.
A degradação do habitat é a principal ameaça para 93% das espécies já consideradas criticamente em perigo. Doenças e outros impactos associados a humanos, como poluição, também figuram entre as principais causas de ameaça à extinção.
No caso do Brasil, um país que concentra a maior biodiversidade de anfíbios do mundo (1.200 das pouco mais de 8.600 espécies descritas), esses impactos vêm principalmente da devastação de áreas preservadas para a agropecuária e da fragmentação de florestas.
Esses foram os achados de um estudo global com mais de cem pesquisadores, liderado pela associação Re:wild, sediada em Austin (Texas), e com participantes da coordenação da Lista Vermelha de Ameaça à Extinção da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). O artigo foi publicado nesta quarta-feira (4) na revista científica Nature.
A avaliação é a segunda feita para esse grupo de animais, sendo que a primeira, em 2004, já apontava ameaças globais à conservação dos anfíbios. "Os anfíbios são considerados o segundo grupo animal, e o primeiro de vertebrados, quando falamos de risco de ameaça", explica Jennifer Luedtke, líder do estudo e gerente de estudos da Re:wild.
De acordo com os dados da IUCN, 40,7% (2.873 espécies de 8.011 avaliadas) de anfíbios possuem algum grau de ameaça. Na fase anterior, com dados até 2004, 39,4% (2.788) das espécies de anfíbios avaliadas tinham algum grau de ameaça, número que já era superior ao encontrado em 1980, quando foi feita a primeira lista, de 37,9% (2.681).
"Nosso estudo mostra que não podemos continuar subestimando essa ameaça. Proteger e restaurar florestas é fundamental não apenas para salvaguardar a biodiversidade, mas também para combater as mudanças climáticas", disse Luedtke.
Para Kelsey Neam, coordenadora de dados de espécies no Re:wild e uma das principais autoras do estudo, "os anfíbios sofrem com a devastação do habitat, mas nós também precisamos entender que precisamos deles, seja para a descoberta de novos compostos médicos, ou por serem predadores que ajudam a controlar a população de insetos".
"E, embora nosso estudo tenha focado na avaliação de como a mudança climática ameaça os anfíbios, o contrário também é verdadeiro; a preservação e restauração das populações de anfíbios é uma das soluções para a crise global do clima, uma vez que eles têm um papel-chave na saúde dos ecossistemas", completa.
Entre os vertebrados, as raias e os tubarões ocupam a segunda posição dos mais ameaçados (37,4%), seguidos de mamíferos (26,5%), répteis (21,4%) e aves (12,9%).
Houve, também, uma incorporação de 2.286 espécies na nova lista, um esforço de mais de mil especialistas que contribuíram com o levantamento. Isso também reduziu a proporção de espécies com dados insuficientes (quando não há informações o bastante para saber se há risco de extinção), de 22,5%, em 2004, para 11,3%, em 2022.

A matéria completa pode ser lida na Folha de S. Paulo

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