
10/10/2023
Eventos climáticos extremos estão acontecendo com uma intensidade e frequência cada vez maiores e mostram que reduzir as emissões de carbono e preservar os ecossistemas são necessidades urgentes. Em meio à pressa mundial de combater o aquecimento global, um artigo publicado na revista científica Nature Climate Change destaca o potencial inexplorado das agroflorestas como uma solução climática natural na luta por um futuro sustentável.
De acordo com cientistas, as agroflorestas, podem ser a maior contribuição individual que o setor agrícola pode oferecer ao combate às mudanças climáticas e, em escala global, seria comparável a estratégias mais utilizadas, como o reflorestamento.
Também chamadas de agrossilvicultura, definidas pela inclusão deliberada de árvores em paisagens agrícolas, as agroflorestas têm um potencial significativo de mitigação climática, mas também podem melhorar o rendimento das safras e diversificar a renda dos agricultores; melhorar a sustentabilidade e a resiliência climática dos sistemas de produção alimentar; criar habitats para a biodiversidade; e proteger as pessoas e o gado do calor extremo e de outros eventos climáticos, além de outros benefícios.
Em regiões onde a agricultura é um dos principais fatores de desmatamento, como o Brasil, as práticas agroflorestais podem ajudar a melhorar os meios de subsistência dos agricultores, o que, por sua vez, contribui para redução ou até mesmo a reversão da perda de floresta. Por exemplo, na parte leste da Amazônia brasileira, os sistemas agroflorestais vêm sendo implantados em pastagens degradadas subutilizadas de pequenas propriedades rurais.
Nesse sentido, a coautora e diretora de Ciências da TNC no Brasil, Edenise Garcia explica que o sistema agroflorestal, enquanto alternativa econômica sustentável que gera empregos, constitui um mecanismo eficaz para interromper este ciclo. “O ciclo de expansão das pastagens muitas vezes começa com o desmatamento em pequena escala, seguido pelo uso do fogo para limpar a área e plantar pastagens, e finalmente, alguns anos depois, culmina com a degradação e abandono da terra”.
Apesar do seu potencial como solução climática natural de baixo custo e imediatamente disponível, os sistemas agroflorestais orientados ao clima estão atualmente subaproveitados. Isto deve-se em grande parte à ambiguidade ligada às ações agroflorestais que proporcionariam a mitigação do carbono, juntamente à incerteza quanto ao seu potencial total de sequestro e à dificuldade em acompanhar o progresso das práticas agroflorestais.
Segundo os autores apesar do enorme potencial das agroflorestas, é necessário pesquisar mais sobre a melhor forma de implementar esta solução climática natural em sistemas agrícolas em todo o mundo.
O autor principal do estudo e ecologista computacional da TNC, Drew Terasaki Hart destaca que há conhecimento e espaço para aumentar o número de árvores em lavouras do mundo inteiro. “A ciência pode ajudar a identificar os locais onde o desenvolvimento agroflorestal tem maior potencial de mitigar as mudanças climáticas e, ao mesmo, apoiar a produção agrícola e proporcionar vários outros benefícios, incluindo habitats para as espécies silvestres”.
Vem saber mais sobre os sistemas agroflorestais no CicloVivo
Fogo atinge duas áreas de preservação de Niterói em uma semana
11/08/2026
Bosque dos Salesianos é ameaçado pela especulação imobiliária
11/08/2026
Ventilação natural orienta projeto de casa em Brasília
11/08/2026
Natura amplia sistemas agroflorestais de dendê na Amazônia
11/08/2026
Petrobras escolhe empresa para créditos de carbono cujo sócio teve madeireira punida
11/08/2026
Para combater invasão de algas, Caribe aposta em barcos, barreiras e biocombustível
11/08/2026
