
24/10/2023
Um resultado importante da cúpula climática da ONU no Egito, a COP27, está em perigo, porque os Estados Unidos lideram um esforço para que o Banco Mundial administre um novo fundo para ajudar os países mais pobres que sofrem com as mudanças climáticas. O movimento levou um grupo de nações que se opõem a essa ideia a ameaçar abandonar as negociações.
Representantes das nações do G77 + China, incluindo uma grande coalizão de países em desenvolvimento, cogitaram abandonar as discussões sobre o chamado fundo de perdas e danos em curso em Aswan, no Egito, de acordo com pessoas familiarizadas com as negociações.
O acordo para criar um fundo de perdas e danos para ajudar "nações particularmente vulneráveis" foi celebrado por líderes africanos e de outros países em desenvolvimento na última cúpula climática da ONU, a COP27, em Sharm el-Sheikh.
Desde então, os países têm tentado acertar os detalhes de como isso funcionaria e de onde viria o dinheiro antes da COP28, nos Emirados Árabes Unidos, que começa em cerca de seis semanas.
A falta de acordo seria um golpe para a próxima cúpula.
Pedro Luis Pedroso Cuesta, o presidente cubano do grupo G77 + China, disse que as negociações em curso nesta semana estão em impasse devido a diferenças críticas, incluindo a questão do dinheiro e os arranjos de governança do fundo.
O G77 rejeitou propostas dos EUA e da União Europeia para que o fundo fosse sediado pelo Banco Mundial, após discussões "extensas" com o credor nesta semana.
As nações opositoras inicialmente queriam um fundo independente, mas Pedroso Cuesta disse que o grupo agora está aberto a ele ser hospedado em outro lugar, como em uma organização da ONU ou outro banco de desenvolvimento multilateral.
No entanto, ele disse que os Estados Unidos não estavam dispostos a negociar onde o fundo seria sediado. "Estamos confrontados com um elefante na sala, e esse elefante é os Estados Unidos", disse ele. "Estamos diante de uma posição muito fechada de que é [o Banco Mundial] ou nada."
Christina Chan, assessora sênior do enviado climático dos Estados Unidos, John Kerry, disse que é "inexato" e "irresponsável" sugerir que os Estados Unidos estão sendo "obstrucionistas".
"Estamos trabalhando diligentemente em cada etapa para abordar preocupações, resolver problemas e encontrar soluções", disse Chan, acrescentando que os Estados Unidos têm sido "claros e consistentes" sobre a necessidade de cumprir o compromisso da COP27 para criação de um fundo de perdas e danos.
Pedroso Cuesta argumentou que o Banco Mundial, que fornece empréstimos e subsídios aos governos de nações mais pobres, não possui uma "cultura climática" e frequentemente demora muito para tomar decisões, o que significa que pode ter dificuldades para responder rapidamente a crises relacionadas ao clima, como as graves inundações no Paquistão no ano passado.
Os membros do G77 também disseram que estavam preocupados que, se o fundo tivesse que operar sob a estrutura legal do Banco Mundial, poderia haver dificuldades em aceitar fontes mais amplas de recursos, como filantropia ou mercados de capitais.
Mas o Banco Mundial afirmou que "ajudar os países na luta contra as mudanças climáticas está no cerne do trabalho de desenvolvimento do Banco Mundial".
Termine de ler esta matéria clicando na Folha de S. Paulo
Índia coloca seu primeiro trem a hidrogênio em operação
11/08/2026
Como os cientistas medem os recordes de calor?
11/08/2026
Cientistas transformam resíduos de PVC em lubrificante
11/08/2026
Com El Niño, oceanos batem recorde de temperatura em julho
11/08/2026
Oceanos do mundo atingem temperatura mais alta já registrada em um mês de julho
11/08/2026
Os graves efeitos do ´Super El Niño´ na América Latina previstos pelos cientistas
11/08/2026
