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Oceanos do mundo atingem temperatura mais alta já registrada em um mês de julho

11/08/2026

Os oceanos do mundo registraram em julho de 2026 a maior temperatura média da superfície do mar já observada para o mês, segundo dados divulgados pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia.
A temperatura média da superfície do mar nos oceanos extrapolares — área compreendida entre 60°S e 60°N — chegou a 20,96°C, superando o recorde anterior para julho, de 20,89°C, estabelecido em 2023.
O cenário foi influenciado, em parte, pelo desenvolvimento do El Niño no Pacífico equatorial. Em julho, temperaturas excepcionalmente elevadas foram registradas em grande parte do Pacífico tropical, região onde as condições do fenômeno estão presentes e devem se intensificar ainda mais nos próximos meses.
Ao redor da Europa, o Atlântico e o Mediterrâneo Ocidental também registraram temperaturas recordes na superfície do mar para julho, associadas a ondas de calor marinhas fortes ou severas e generalizadas, com impactos sobre comunidades costeiras e ecossistemas.
O recorde nos oceanos ocorreu em um mês marcado por temperaturas elevadas também na atmosfera.
Globalmente, julho de 2026 foi o segundo julho mais quente já registrado, empatado com 2024 e atrás apenas do recorde estabelecido em 2023.
A temperatura média do ar na superfície do planeta durante o mês foi de 16,90°C, ficando 0,67°C acima da média de julho entre 1991 e 2020 e 1,47°C acima da média estimada do período pré-industrial, de 1850 a 1900.
O calor foi especialmente intenso na Europa Ocidental. A região registrou o período de junho a julho mais quente da série histórica, com temperatura média de 21,62°C, ou 2,79°C acima da média.
O resultado superou o recorde anterior, de 2022, e refletiu a persistência excepcional das altas temperaturas desde o início do verão.
Julho ainda trouxe a terceira e a quarta ondas de calor registradas na Europa Ocidental desde maio. Embora tenham sido menos intensas do que as observadas em junho, o Copernicus classificou como excepcional a sequência de episódios de calor na região.
Segundo Samantha Burgess, líder estratégica para o clima do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), julho foi o terceiro mês consecutivo de calor excepcional na Europa Ocidental.
“Sistemas persistentes de alta pressão retiveram o calor sobre a Europa Ocidental, e as temperaturas extremas também amplificaram a seca generalizada.”
Burgess explicou ainda que, à medida que os solos secam, eles perdem a capacidade de proporcionar resfriamento natural, permitindo que o calor se acumule com mais facilidade. Segundo ela, o cenário mostra como as mudanças climáticas estão intensificando os extremos de calor e fazendo com que calor e seca se reforcem mutuamente.
As temperaturas elevadas foram acompanhadas por uma seca persistente em grande parte da Europa Ocidental.
Em julho, condições mais secas do que a média, que já haviam sido observadas em maio e junho, persistiram e se intensificaram em áreas da Península Ibérica, França, Alemanha, Áustria e Hungria. Reino Unido, Irlanda, parte da Islândia e a região do Benelux também registraram condições excepcionais de seca.
A combinação de seca e ondas de calor favoreceu uma atividade excepcional de incêndios florestais na Europa Ocidental, tanto em área queimada quanto em emissões.
“As mudanças climáticas estão trazendo cada vez mais condições quentes e secas que favorecem grandes incêndios florestais de alta intensidade no sul da Europa, ao mesmo tempo que estendem a temporada de incêndios para o norte”, afirmou Laurence Rouil, diretor do Serviço de Monitoramento da Atmosfera Copernicus.

Saiba mais no g1

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