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Como os cientistas medem os recordes de calor?

11/08/2026

Temperaturas históricas voltam a dominar as manchetes em várias regiões do mundo. Mas o que define um "recorde de calor", como ele é medido e por que fatores como umidade e urbanização agravam seus efeitos?
Mais um verão no hemisfério norte, mais uma onda de manchetes sobre temperaturas históricas. Da Ásia Oriental à Europa e aos Estados Unidos, o calor extremo tem provocado milhares de mortes, alimentado incêndios florestais e pressionado sistemas de abastecimento de água, produção de alimentos e fornecimento de energia.
Mas o que realmente significam expressões como "calor recorde"? Como os cientistas sabem quando uma temperatura quebra uma marca histórica? Por que as cidades costumam ser mais quentes que as áreas rurais? E a umidade realmente faz o calor parecer mais intenso?
A DW conversou com climatologistas para responder a algumas das dúvidas mais comuns sobre como o calor é medido e por que entender essa terminologia é importante.
Tudo depende da comparação. Milhares de estações meteorológicas ao redor do mundo monitoram a temperatura. Um recorde é registrado quando a temperatura em um local supera a máxima anteriormente observada naquela estação para um determinado dia, mês ou estação do ano.
Os cientistas também calculam recordes regionais e globais combinando dados de estações meteorológicas, navios e bóias oceânicas para obter médias em áreas mais amplas.
O período de comparação varia conforme a base de dados utilizada. O registro contínuo de temperatura mais antigo do mundo é a série Central England Temperature Data Series, iniciada em 1659.
As três bases de dados mais completas, porém, são mantidas pelo Instituto Goddard para Estudos Espaciais (GISS) e pelos Centros Nacionais de Informação Ambiental (NCEI), ambos dos Estados Unidos, além do Met Office Hadley Centre, do Reino Unido. Elas reúnem medições abrangentes desde 1880.
São esses conjuntos de dados que embasam afirmações como a de que a última década foi a mais quente já registrada. Embora a Terra tenha passado por períodos mais quentes ao longo de seus 4,5 bilhões de anos de história, o aquecimento atual é excepcional quando considerado o período dos últimos 12 mil anos, durante o qual se desenvolveu a civilização humana.
Para reconstruir o clima do passado, os cientistas utilizam registros naturais conhecidos como arquivos climáticos. Entre eles estão núcleos de gelo, anéis de crescimento de árvores, sedimentos marinhos e fósseis.
"Esses registros preservam informações sobre temperaturas, índices de chuva e condições atmosféricas ao longo de milhares ou até milhões de anos", afirmou à DW a climatologista Friederike Otto, fundadora do grupo de pesquisa World Weather Attribution (WWA).
O registro contínuo mais completo obtido a partir de núcleos de gelo foi perfurado na Antártida e remonta a mais de um milhão de anos. As bolhas de ar aprisionadas no gelo permitem medir as concentrações de dióxido de carbono existentes na atmosfera em diferentes períodos.
"Como conhecemos as equações que descrevem a física do clima, também podemos usar modelos climáticos para verificar como mudanças em diferentes fatores produzem condições climáticas e meteorológicas distintas", explicou Otto.
Esses estudos ajudaram a mostrar que concentrações mais elevadas de gases de efeito estufa costumam estar associadas a temperaturas globais mais altas ao longo da história da Terra. Há cerca de 56 milhões de anos, por exemplo, grandes quantidades de carbono foram lançadas na atmosfera, provavelmente devido à atividade vulcânica e à liberação de metano de sedimentos oceânicos, provocando um período de intenso aquecimento global.
A diferença em relação ao presente é que a mudança climática atual é causada pela queima de combustíveis fósseis pelos seres humanos e ocorre em ritmo muito mais acelerado do que em qualquer momento dos últimos milhões de anos, segundo a Nasa.

Conclua a leitura desta reportagem clicando na Folha de S. Paulo

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