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Pele de tubarão inspira revestimento para aviões mais eficientes

01/07/2025

A natureza tem uma engenharia que vem se desenvolvendo há milhões de anos. E, algumas vezes, a humanidade tem a sabedoria de usar o que o mundo natural oferece para desenvolver tecnologias “modernas”. Um exemplo é um filme adesivo inspirado na pele dos tubarões, criado pela startup australiana MicroTau para aeronaves.
O revestimento reduz a resistência das aeronaves o que faz com que elas usem menos combustível durante o deslocamento. A pele dos tubarões tem pequenos sulcos que os ajudam a nadar mais rápido usando menos energia. Quando esses sulcos microscópicos são aplicados por meio de uma película adesiva na parte externa de uma aeronave o efeito é o mesmo: fluxo facilitado e menor consumo de energia – no caso, de combustível.
Segundo a MicroTau com o uso da sua tecnologia nas asas, fuselagem e cauda dos aviões, ​​a melhoria geral na eficiência é de até 4%. “Em toda a frota de aviação global, isso significa bilhões de dólares em combustível economizados e milhões de toneladas de emissões de CO2 evitadas”, afirma a startup em seu site.
Recentemente, a Delta Air Lines assinou um acordo com a MicroTau para testar a adesivagem na frota de seu Boeing 767, como parte de um “laboratório incubador” que soluções mais sustentáveis para o setor de transporte aéreo. Outras parcerias da startup incluem a Airbus, Boeing, JetZero e uma empresa de táxi aéreo elétrico de Ohio, a Joby Aviation.
Em 2020, pesquisadores da Unicamp também encontraram na natureza uma resposta para reduzir a poluição sonora causada pela decolagem e aterrisagem de aviões. A indústria aeronáutica tem sido pressionada pelas agências regulamentadoras a reduzir os níveis de ruído gerado pelas aeronaves que fabricam, de modo que, até 2030, não seja mais possível ouvir fora do perímetro aeroportuário o ruído de um avião ao decolar ou aterrissar.
Uma das soluções para esse problema foi encontrada por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) nas asas de corujas (Strigiformes). Ao estudar a aerodinâmica do voo da ave, considerado o mais silencioso, os pesquisadores do Laboratório de Ciências Aeronáuticas da Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM) da Unicamp, em colaboração com colegas do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e da Universidade Lehigh, dos Estados Unidos, identificaram características nas asas da coruja que, mimetizadas nas asas de aviões, possibilitam projetar aeronaves mais silenciosas.
Além da poluição sonora, o setor aéreo também precisa reduzir sua pegada de carbono, já que o transporte por aviões é um dos modais com as maiores emissões de gases de efeito estufa. Um caminho para isso é a substituição dos combustíveis fósseis nos motores das aeronaves pelo SAF, nome que vem da sigla em inglês Sustainable Aviation Fuel, ou combustível de aviação sustentável.
O uso de SAF pode contribuir para reduzir, significativamente, as emissões de carbono nesta importante indústria. De acordo com a Associação Internacional de Energia A aviação gera cerca de 2% de todas as emissões globais anuais de CO2. Essas emissões se devem em maior parte ao uso do querosene de aviação tradicional, que é um combustível fóssil derivado de petróleo obtido por meio de processos de refino, e que gera mais emissões. Em vez de usar petróleo bruto, o SAF começa com ingredientes renováveis, como óleos vegetais, gorduras animais e até mesmo resíduos de alimentos.
Uma sessão de pré-tratamento remove alguns contaminantes destas matérias-primas para o próximo passo: transformações químicas chamadas hidrogenação e isomerização. Após esse processo a molécula já terá o formato similar ao do hidrocarboneto fóssil, resultando em um produto substituto perfeito do querosene de aviação fóssil, pronto para uso.

Fonte: CicloVivo

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