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A luta contra o tempo do Suriname para salvar sua capital da erosão costeira

08/07/2025

A terra de Gandat Sheinderpesad, 56, está encolhendo a cada dia devido à erosão costeira que se expande em Paramaribo, capital do Suriname, afetada pela acelerada elevação do nível do mar causada pela mudança climática.
"Todos os dias vejo um pedaço de terra desaparecer", lamenta o agricultor. Na pequena ex-colônia holandesa, 68% da população vive em áreas expostas ao aumento do nível do mar, de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).
"A erosão é um problema no Suriname há muitos anos", disse à AFP o ministro de Obras Públicas, Riad Nurmohamed.
Em Paramaribo, onde as águas marrons do rio Suriname se misturam com as azuis do Atlântico, a ilha de Braamspunt ainda é visível. É neste local que as tartarugas marinhas depositam seus ovos, mas não se sabe mais por quanto tempo. A ilha está encolhendo devido à erosão.
O guia turístico Kiran Soekhoe Balrampersad ganha a vida levando visitantes para ver tartarugas-de-couro e tartarugas-verdes botando ovos à noite. Porém, acredita que a atividade pode estar com os dias contados. "Talvez [dure até] o próximo ano, por mais uma temporada", afirma. "Mas, depois disso, não haverá mais praias".
No país de 600 mil habitantes, "a erosão acelerou tão rapidamente que, em 2020, o alarme teve de ser acionado", explica o ministro Nurmohamed.
"Algumas áreas não são problemáticas porque há cinco, 10 ou até 20 quilômetros de manguezais que funcionam como barreira. Mas perto de Paramaribo há apenas um quilômetro, portanto, é uma área muito sensível", afirma.
Um programa de plantio de mangues foi iniciado há cinco anos, mas não funcionou em todos os lugares. "Nos últimos dois ou três anos, a água penetrou com força nos manguezais, e eles foram destruídos", conta.
Segundo o ministro, em 2024, foi iniciada a construção emergencial de um dique para impedir a penetração de mais água. "Caso contrário, a água atingiria rapidamente a área de Paramaribo", afirma.
Segundo Sienwnath Naqal, pesquisador da Universidade Anton de Kom, que está envolvido nos projetos de replantação, muitos manguezais foram removidos para a produção agrícola e, desde então, a zona de amortecimento foi perdida.
Além disso, há a dragagem de areia na entrada do estuário de Paramaribo para garantir a chegada dos navios ao porto.
Centenas de árvores jovens plantadas ao longo de uma estrada perto da capital estão com as raízes expostas. As ondas, aumentadas pela mudança climática, arrastam o substrato que as sustenta.
Entre os locais que refletem o fracasso do experimento de Naqal está o terreno do agricultor Gandat Sheinderpesad, que afirma que não tem mais emprego porque perdeu 95% de sua terra. Agora, sua casa está a apenas algumas dezenas de metros da nova margem.
A construção de um dique é sua última esperança. "Não tenho para onde ir. Quando o dique for construído, estarei um pouco mais seguro. Por quanto tempo, não sei", lamenta ele.
Os 4,5 km de dique necessários, com um custo de US$ 11 milhões (R$ 60 milhões, na cotação atual), serão financiados pelo Estado.
"Por ser urgente, é com nossos próprios recursos. Não temos tempo para esperar; seremos inundados", afirma Nurmohamed.
Mas o pequeno e pobre país, que espera gerar receita com a exploração de petróleo offshore a partir de 2028, sabe que terá que intensificar seus planos de proteção.
"Não sei onde conseguiremos os fundos para modernizar todos os diques, é uma quantia enorme, um investimento colossal, e é um problema que temos que resolver agora", diz o ministro.

Fonte: Folha de S. Paulo

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