
17/09/2026
Mais de 171 milhões de estudantes em todo o mundo, ou 1 em cada 10, da Educação Infantil ao Ensino Médio, tiveram sua educação interrompida por riscos climáticos em 2025, segundo uma nova análise divulgada no dia 10 de setembro de 2026 pelo UNICEF. No Brasil, foram ao menos 745 mil que deixarfam de ir à escola.
“Para milhões de crianças, os riscos climáticos fazem mais do que interromper as aulas. Eles destroem escolas, deslocam famílias e empurram as crianças mais vulneráveis, especialmente as meninas, para fora da sala de aula de forma permanente”, afirmou a Diretora Executiva do UNICEF, Catherine Russell.
O relatório Aprendizagem Interrompida: Panorama Global das Interrupções Educacionais Relacionadas ao Clima em 2025 (disponível apenas em inglês) analisou dados de 106 países ou territórios e concluiu que riscos climáticos – incluindo tempestades, enchentes, ondas de calor, secas e incêndios florestais – levaram à suspensão de aulas, danos a escolas, migração para o ensino remoto, redução do tempo letivo, queda na frequência escolar e aumento do risco de evasão para milhões de estudantes em todo o mundo.
Segundo a análise, no mundo, as tempestades foram a causa mais comum das interrupções escolares no ano passado, afetando 109 milhões de estudantes. As enchentes afetaram pelo menos 70 milhões de estudantes, enquanto as ondas de calor interromperam a Educação de aproximadamente 50 milhões de crianças.
No Brasil, ao menos 745 mil crianças e adolescentes tiveram seu acesso à Educação impossibilitado em algum momento de 2025 por conta de questões climáticas. O número inclui estudantes do Rio Grande do Sul que ficaram sem aulas no início de 2025 por conta de uma onda de calor, e estudantes do Paraná que não conseguiram frequentar a escola por causa de um tornado, em novembro do mesmo ano. Estima-se que esses dados devem ser ainda maiores, visto que eventos climáticos extremos atingiram outras regiões do País em 2025, mas não foram capturados pela metodologia da pesquisa.
“Minha escola fica ao lado de um riacho e, quando há enchentes, a água sobe e invade a escola”, contou Taudibura Garo, de 16 anos, de Papua-Nova Guiné, onde as condições do El Niño devem aumentar o risco de eventos climáticos extremos nos próximos meses. “Normalmente, a água chega até os nossos joelhos e inunda os banheiros. Então, fica insalubre permanecer na escola e perdemos as aulas que deveríamos estar frequentando.”
Embora estudantes de todos os níveis de renda tenham sido afetados, três quartos dos estudantes impactados vivem em países de baixa e média-baixa renda, onde os sistemas educacionais frequentemente não dispõem dos recursos necessários para proteger a aprendizagem durante emergências relacionadas ao clima.
No Paquistão, por exemplo, um dos países mais afetados pela análise, enchentes severas causadas pelas monções em agosto atrasaram o retorno às aulas de mais de 28 milhões de estudantes, tornando esse um dos maiores episódios de interrupção educacional relacionados ao clima registrados em 2025. Já no Egito, uma forte tempestade Khamsin (vento e poeira) levou à suspensão das aulas em todo o país por um dia em abril, afetando também mais de 28 milhões de estudantes.
De acordo com os dados, 40 países enfrentaram múltiplas rodadas de interrupções escolares relacionadas ao clima ao longo do ano. Em Madagascar, por exemplo, secas, ciclones tropicais e enchentes afetaram 280 mil estudantes durante o período. Na Espanha, mais de 500 mil estudantes da Comunidade Valenciana foram afetados por tempestades em março, seguidas pelo ciclone pós-tropical Gabrielle em setembro. Em outras regiões do país, o calor extremo interrompeu as aulas em maio e junho, enquanto a tempestade Alice impactou a educação em outubro.
Conclua a leitura desta reportagem clicando no CicloVivo
Colômbia protege 42% da Amazônia contra mineração
17/09/2026
Mais da metade das orquídeas pode estar ameaçada de extinção
17/09/2026
Os periquitos tropicais que se espalharam pela Alemanha
17/09/2026
Clima tirou mais de 171 milhões de crianças da escola, em 2025
17/09/2026
Governo Trump acaba com limite a emissões de carbono de usinas de energia
17/09/2026
Rio Ocean Week debate fontes e soluções para poluição marinha
15/09/2026
