
22/10/2026
A brasileira Flávia Miranda, fundadora do Instituto Tamanduá e Professora da UESC, foi uma das vencedoras do Animal Action Awards 2026, prêmio anual do Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW).
Durante cerimônia, realizada no dia 15 de outubro, em Londres, Flávia recebeu das mãos de Lord Zac Goldsmith o Conservation Changemaker, prêmio que reconhece quem impulsiona soluções inovadoras para os desafios da conservação.
“Todos os anos, é uma honra destacar alguns dos campeões da conservação mais inspiradores e muitas vezes desconhecidos do mundo. Embora esses premiados venham de diferentes países, culturas e disciplinas, eles estão unidos por um objetivo comum: criar um futuro mais promissor para os animais e para as comunidades que vivem ao seu lado”, destacou Azzedine Downes, presidente e CEO do IFAW.
Há mais de duas décadas, Flávia dedica a carreira à proteção de tamanduás, tatus e preguiças na América Latina, grupo de mamíferos pouco conhecido do grande público e ameaçado em diferentes biomas. À frente do Instituto Tamanduá, ela combina ciência da conservação, resgate de animais silvestres e educação ambiental.
“Esse prêmio não é só meu. É de toda equipe do instituto tamanduá, dos meus colegas e alunos da Universidade Estadual de Santa Cruz, e das pessoas que, em cada região do Brasil, ajudam a cuidar desses animais. Espero que ele chame atenção para a importância dos nossos biomas e de quem vive neles”, comenta Flávia Miranda.
Pesquisadora da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), em Ilhéus (BA), ela mantém o Instituto Tamanduá em atuação em diversos biomas brasileiros. A nova sede da organização fica em Mato Grosso do Sul.
Sua contribuição também é de peso para a ciência. Flávia descreveu seis novas espécies de tamanduá e participou da descrição de uma nova espécie de preguiça, feito que lhe rendeu o apelido de “naturalista do século XXI”.
Nascida no Paraná, Flávia se mudou ainda criança para Campo Grande, no Pantanal, região que despertou seu interesse por animais. Aos 14 anos, foi estudar em um colégio agrícola no meio do Pantanal, onde teve o primeiro contato com um tamanduá, apesar de vir de uma família urbana, filha de publicitários.
Formada em veterinária em Londrina no Paraná passou por estágios, zoológicos e pela Wildlife Conservation Society (WCS) antes de fundar o Instituto Tamanduá, em 2005, para estruturar a captação de recursos e a conservação do grupo.
O ponto alto de sua carreira acadêmica rendeu a ela a alcunha de “naturalista do século XXI”: em um trabalho de mais de dez anos, descreveu seis novas espécies de tamanduá, e descreveu uma espécie de preguiça rara da Mata Atlântica.
Descrever espécies novas é raro no mundo, praticamente um capítulo encerrado no século XIX na Europa e nos Estados Unidos, mas no Brasil, dono de uma das maiores biodiversidades do planeta, a ciência ainda está em fase de descoberta. “O primeiro passo da conservação é saber o que estamos preservando, quais espécies fazem parte do nosso bioma para preservarmos”, resume.
Instituto Tamanduá: ciência, resgate e renda para comunidades
O Instituto Tamanduá atua em diferentes biomas brasileiros: no Pantanal Sul (Mato Grosso do Sul), com preguiças de coleira na Bahia e, no Maranhão, com turismo de base comunitária e educação ambiental. A parceria entre Flávia e o IFAW nasceu durante as queimadas no Pantanal, quando as duas organizações se uniram para montar recintos de resgate, estruturar o atual centro de resgate do instituto e viabilizar, com apoio da Disney Foundation, caminhonetes para o trabalho de campo.
A instituição trabalha com o conceito de espécie “guarda-chuva”: ao proteger tatus, tamanduás e preguiças, protege-se também todo o ecossistema ao redor, em projetos que associam educação ambiental à geração de renda para comunidades locais. Os resultados são medidos pela criação de áreas de conservação, pela capacitação de pessoas e formação de mestres e doutores, pela doação de recursos a comunidades e pela incidência em políticas públicas, incluindo o combate ao uso de agrotóxicos.
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