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Ameaçado de extinção, surdo e desajustado: conheça sapinho-pingo-de-ouro que mede 1 cm encontrado no ES

18/06/2026

Surdo, desajeitado, do tamanho de uma unha, colorido e sensível: este é o sapinho-pingo-de-ouro, anfíbio raro e ameaçado de extinção encontrado em Vargem Alta, no Sul do Espírito Santo, e monitorado por pesquisadores da Reserva Kaetés há pouco tempo.
Apesar do pouco tamanho e da falta de audição, o sapinho Brachycephalus alipioi é parte fundamental da natureza local, como explicou o médico veterinário e coordenador do projeto de proteção, Marcelo Renan de Deus Santos.
"Como todos os animais, ele é um bicho fundamental para o equilíbrio ecológico da área. E, por ser tão pequenininho, ele não tem audição. Então, ele se relaciona com o meio através de outros sentidos, especialmente da pele. A pele dos anfíbios é muito sensitiva", explica o especialista.
Além das características específicas, os sapinhos encontrados na reserva são exclusivamente capixabas, como indicam os poucos registros existentes deste animal.
"A família dele tem vários exemplares na Mata Atlântica, várias espécies de sapinhos semelhantes a ele. Alguns também coloridos, amarelos, outros escurinhos, são todos pequenininhos. Mas essa espécie é nossa", explicou Marcelo.
O sapinho-pingo-de-ouro capixaba passou a ser monitorado recentemente na Reserva Kaetés, que existe originalmente para proteger o pássaro saíra-apunhalada, na divisa dos municípios de Castelo e Vargem Alta.
"A gente começou a ver o sapinho em algumas áreas muito específicas. E esse ano a gente fez uma parceria com um pesquisador de anfíbios. Aí passamos a registrar oficialmente, com registros científicos, a existência do sapinho ali", contou Marcelo.
Segundo o coordenador, o objetivo agora é coletar dados sobre o anfíbio pouco conhecido, a fim de entender como ele se alimenta e se reproduz, por exemplo.
A Reserva Kaetés foi criada pelo Instituto Marcos Daniel e reúne conservação, pesquisa e experiência para a proteção da Mata Atlântica capixaba. Atualmente, a área abrange 777 hectares, sendo que 264 deles já são legalmente reconhecidos como Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).
O sapinho, apesar de pequeno, possui um veneno que, em grande quantidade, ou ao ser ingerido por um ser humano, poderia causar complicações ou até ser letal, segundo o biólogo e doutor em zoologia, Thiago Silva-Soares, coordenador do projeto Herpeto Capixaba que fundou o Programa de Conservação do Pingo-de-ouro-capixaba.
"Mas não é algo que eu não possa encostar nele, tanto que, se a gente pega ele na mão em um primeiro momento, não tem uma grande preocupação por ter pego ele na mão. A gente só tem que lavar a mão depois e ter muito cuidado para não botar a mão na boca ou no olho, que são mucosas, que pode absorver toxina", explica o especialista.

Conclua a leitura desta reportagem clicando no g1

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