
18/06/2026
Um salto de poucos segundos foi suficiente para transformar uma manhã comum no mar do Rio em um dos momentos mais marcantes da carreira do fotógrafo Marcelo Tchebes. Durante uma saída para observação de baleias, ele registrou uma baleia-jubarte completamente projetada para fora da água, alinhada ao Morro do Corcovado e ao Cristo Redentor.
O registro aconteceu durante a primeira saída do profissional durante a temporada de observação das jubartes, que nesta época do ano passam pelo litoral brasileiro durante sua migração anual. Segundo Tchebes, a fotografia ganhou um significado ainda maior por representar a realização de uma busca que vinha desde o ano passado.
— Em 2025, tentei registrar as baleias em Arraial do Cabo e também no Rio, mas não tive sucesso. Passei horas esperando e não consegui ver nenhuma. Fiquei frustrado, claro, mas faz parte da fotografia de natureza. A natureza é quem dita o ritmo. A imprevisibilidade é justamente o que torna tudo tão especial — conta.
A bordo de uma embarcação da operadora Rio Boat Experience, que realiza passeios de observação saindo da Barra da Tijuca, o fotógrafo encontrou condições longe das ideais para fotografar. O céu estava parcialmente encoberto e o mar apresentava ondulações que dificultavam o trabalho.
— A embarcação sobe e desce constantemente. Você precisa manter a câmera estável enquanto tenta prever onde a baleia vai emergir. O salto acontece em uma fração de segundo. Depois ela desaparece novamente sob a água e ninguém sabe exatamente onde voltará a surgir — explica.
Apesar dos desafios, a manhã reservava uma surpresa. Em cerca de três horas de navegação, foram avistadas seis baleias, todas extremamente ativas. Houve batidas de cauda, exibição das nadadeiras e diversos saltos.
Foi justamente em um desses momentos que surgiu a imagem que Marcelo buscava.
— Eu estava esperando exatamente aquele enquadramento. Quando a baleia saltou, eu já estava preparado. Fiz uma sequência de cerca de vinte fotos. Na hora, gritei dentro do barco: “Meu Deus, eu não acredito que deu certo”. Foi uma emoção surreal — relembra.
Ao longo do passeio, ele conseguiu registrar baleias diante de outros pontos turísticos, como o Pão de Açúcar, os Dois Irmãos e o próprio Cristo Redentor.
— Foi um daqueles dias em que tudo conspira a favor. As baleias estavam muito ativas e apareceram em pontos estratégicos da costa. Consegui fotografá-las praticamente com todos os cartões-postais mais conhecidos da cidade — afirma.
Fotógrafo especializado em paisagens e natureza, Marcelo Tchebes transforma seus registros em obras Fine Art, comercializadas em edições para colecionadores e amantes da fotografia.
— Essa foto reúne as belezas do oceano com as belezas da cidade. É uma imagem que transmite energia boa, que faz as pessoas desacelerarem por um instante e lembrarem da riqueza natural que existe ao nosso redor. Acho que esse é o maior poder da fotografia.
Fonte: O Globo
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